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A admirável gastronomia portuguesa

A admirável gastronomia portuguesa
Março 29
09:21 2017

Quando o Infante D. Henrique decidiu mudar o rumo dos descobrimentos, com o lançamento massivo de caravelas ao oceano, talvez estivesse longe de imaginar o impacto que isso iria ter na gastronomia portuguesa. O certo é que este ousar, em rasgar oceanos e abertura a novos mundos, para além da descoberta de especiarias e novos víveres até então desconhecidos, fez embarcar nas nossas naus e caravelas alguma cultura e arte gastronómica. Aos produtos de origem mediterrânica, do mar e das muitas regiões nacionais, juntaram-se sabores que contribuíram para desenvolver a culinária como símbolo da nossa nacionalidade enquanto portugueses.

Sopa da panela com pombo bravo, Restaurante A Palmeira, Cabeção

Sopa da panela com pombo bravo, Restaurante A Palmeira, Cabeção

A nossa genética gastronómica é detentora de uma riqueza, onde a explosão pirotécnica de sabores, cheiros e cores se faz com mestria. Ao longo dos tempos, os nossos artesãos da panela e colher de pau, souberam fazer desta mistura uma das gastronomias mais ricas e fascinantes do mundo – é certo que há outras mas, depois de mais de 20 anos a viajar pelas mais diversas paragens, estou cada vez mais convicto do quão especial é a nossa gastronomia. A comida e doçaria tradicional portuguesa é hoje um património secular e alvo de estudos com a mais diversa proveniência. Contudo, não deixa de ser aflitivo quando muitos de nós não sabem defender ou atribuir o merecido valor e esta riqueza colectiva que, em muito casos, é o expoente da ousadia e da capacidade de adaptação que tão bem caracteriza o povo português.

Filetes de peixe-espada com molho de laranja, Restaurante Mãe d’Água, Sobral de Parelhão

Filetes de peixe-espada com molho de laranja, Restaurante Mãe d’Água, Sobral de Parelhão

Não querendo desvalorizar o que a nova geração de empresários, cozinheiros e gastrónomos, têm feito pela gastronomia portuguesa, gostava de relembrar que a boa comida nem sempre de faz da agora tão afamada cozinha molecular, dos espaços da moda com projectos de arquitectura premiados, de funcionários de laçarote que caminham compassadamente, sem pressas e por vezes de sorriso forçado, ou de modas e tendências criadas por pseudo opinion makers.

Entrecosto com arroz de feijão, Restaurante Zé Pataco, Canas de Senhorim

Entrecosto com arroz de feijão, Restaurante Zé Pataco, Canas de Senhorim

Recentemente Portugal alcançou um recorde absoluto no número de estrelas Michelin atribuídas pelo famoso guia, facto que deve ser louvado e realçado, mas também não nos podemos esquecer que um verdadeiro “manjar dos deuses” pode estar ao virar de cada esquina, nos lugares menos improváveis ou onde a ruralidade profunda ainda predomina. Para os encontrar, basta que cada um de nós se predisponha a rasgar não os oceanos do passado, mas os montes e vales que se agigantam um pouco por este país que, apesar do pessimismo reinante, é fascinante e pertença de cada um de nós.

Pato assado no forno, Restaurante Tia Rosa, Melides

Pato assado no forno, Restaurante Tia Rosa, Melides

Aventure-se pois por estradas que serpenteiam montes e vales, e vá… Vá conhecer o Portugal incógnito, tantas vezes sem direito a uma manchete de jornal. É lá que vai ser surpreendido e que vai ter a prova em que a gastronomia portuguesa está mais viva que nunca.

Leitão à Bairrada, Restaurante Vital, Aguada de Cima

Leitão à Bairrada, Restaurante Vital, Aguada de Cima

Já pensou onde vai almoçar no próximo fim-de-semana?

Dica: Com o advento do turismo em Portugal, o alojamento tem-se modernizado e o leque de escolhas é muito diversificado. No portal da Rumbo poderá encontrar as melhores opções de hotéis baratos para estas escapadelas gastronómicas, sejam no Norte ou no Sul do país!

Sobre o Autor

Agostinho Mendes

Agostinho Mendes

Assim que atingiu a maioridade, informou a família que queria viajar e conhecer o mundo, mesmo que a sua vontade não fosse aprovada. A paixão pela arte de andarilhar já o fez passar por mais de 50 países em vários continentes. Em viagem, procura experiências intensas que já o levaram a viver com nómadas na Mongólia, famílias mosuos na China ou em aldeias nos Himalaias. É fotógrafo (http://www.agostinhomendes.com) e faz trekking.

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