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Caminho de Santiago: uma peregrinação milenar

Caminho de Santiago: uma peregrinação milenar
Julho 14
08:30 2015
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A história dos caminhos de Santiago começa no século IX com a descoberta do túmulo deste apóstolo na Galiza. Conta a lenda que um ermita, de nome Paio, terá observado umas luzes que, como estrelas, lhe indicaram o local dos restos mortais de Santiago, daí o nome de Compostela ou, Campus Stellae.

A encantadora paisagem galega

A encantadora paisagem galega

Estando na época o túmulo de Jesus Cristo em Jerusalém inacessível aos cristãos, Afonso II, rei das Astúrias não tardou em visitar o local e proclamá-lo como local de peregrinação para os cristãos de todo o mundo.

Vários foram os reis, rainhas e povo em geral que de toda a Europa se dirigiram ao túmulo do apóstolo nos séculos seguintes, usando para isso as vias de comunicação existentes à época.

São estes caminhos ancestrais que, na medida do possível, são hoje conhecidos como os “Caminhos de Santiago” e continuam a ser percorridos anualmente por milhares de peregrinos.

Peregrino

Peregrino

Para um peregrino, mais importante do que chegar a Santiago, é percorrer o caminho. Existem caminhos de Santiago por toda a Europa, uns mais fieis aos traçados originais, outros, fruto do interesse de algumas entidades em ter um “caminho” à porta.

O mais conhecido e pisado é sem dúvida o “Caminho Francês”, iniciado nos Pirenéus, onde convergem a maioria das rotas provenientes de França. Para os portugueses, o caminho Português é a melhor opção para chegar a Santiago.

O caminho Português

Embora a rota se encontre marcada com as famosas vieiras ou com setas amarelas a partir de Lisboa, a maioria dos peregrinos inicia o seu caminho no Porto ou mesmo na fronteira com Espanha, em Valença. A razão é óbvia: a partir de Lisboa o caminho pode levar quase um mês a percorrer e nem todos têm essa disponibilidade de tempo e capacidade física. Para além disso, só a partir do Porto há uma oferta de albergues satisfatória.

As setas amarelas indicam o caminho

As setas amarelas indicam o caminho

A pé, os cerca de 230 quilómetros que separam o Porto de Santiago percorrem-se entre 8 a 12 dias, consoante a forma física do peregrino, com etapas que variam entre 20 a 30 quilómetros diários. O caminho segue por Barcelos, Ponte de Lima e Valença, onde se entra em Espanha. É uma excelente oportunidade para conhecer de perto as pequenas aldeias e cidades do Minho.

Em Espanha, o caminho segue de perto a acidentada costa galega proporcionando paisagens maravilhosas entre as cidades de Redondela e Pontevedra. Seguem-se Caldas de Reis, Padrón e por fim Santiago de Compostela.

À chegada, ao peregrino que tenha completado 200 quilómetros a pé ou 100 quilómetros a cavalo ou de bicicleta, é atribuída a Compostela, certificando que este peregrinou a Santiago.

As igrejas e capelas sucedem-se ao longo do caminho

As igrejas e capelas sucedem-se ao longo do caminho

Em dias festivos ou mediante a requisição (paga) de peregrinos, a cerimónia do Botafumeiro abençoa aqueles que percorreram o caminho, com um enorme queimador de incenso a balançar no interior da catedral de Santiago.

Algumas dicas para o caminho

Calçado e Mochila Na peregrinação como na vida, procure a simplicidade. Viaje leve. Leve apenas o essencial. Para quem não tem experiência pode ser difícil escolher o “essencial”, mas com o somar de quilómetros sobre as pernas, rapidamente o peregrino vai descobrindo o que está a mais na mochila.

Calçado confortável e bom para caminhadas é obrigatório. Deve usar o mesmo calçado com que vai fazer o caminho em algumas caminhadas nas semanas anteriores para que este se adapte aos seus pés.

Albergues No caminho português, acima do Porto, a cada 20 ou 30 quilómetros há um albergue para peregrinos. Estes dispõem de camas em dormitórios, assim como balneários e uma cozinha onde pode preparar o seu jantar e conviver com outros peregrinos.

O valor da estadia é simbólico mas o acesso está limitado a peregrinos portadores da credencial, a qual deve ser obtida antes da partida junto das associações Jacobeias. Esta credencial é carimbada em cada albergue e à chegada a Santiago faz prova de que completou o caminho, obtendo assim a Compostela.

Peregrinos a caminho de Santiago

Peregrinos a caminho de Santiago

Etapas e companhia O caminho de Santiago é uma viagem diferente: deve ser uma oportunidade de autodescoberta. Não tenha medo de ir sozinho: se não acontecer no caminho, ao final de cada dia vai encontrar outros peregrinos no albergue.

Seja flexível no seu plano: defina as etapas que quer fazer, mas se for necessário use mais ou menos um dia.

 

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Sobre o Autor

Samuel Santos

Samuel Santos

Em 2005 viajou até à Guiné com um grupo de escuteiros e, o contacto com aquele continente marcou-o de tal forma que no ano seguinte regressou, de carro. Decidiu começar a escrever o blog "Dobrar Fronteiras" (http://www.dobrarfronteiras.com/) com o intuito de inspirar e ajudar aqueles que lhe queiram seguir as pisadas. Acredita que viajar é para todos e sempre que pode, põe a mochila às costas e vai viajar.

1 Comentário

  1. Carla Mota
    Carla Mota Julho 15, 08:48

    Regressei agora de um e foi uma experiência muito interessante. Recomendo vivamente.

    Responder a este comentário

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