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Caminho de Santiago: uma jornada de fé a partir de Portugal

Caminho de Santiago: uma jornada de fé a partir de Portugal
Outubro 19
08:12 2016

Está intrínseco nos passos dos peregrinos, ainda que não seja expresso por palavras: a fé é um caminho que se trilha dentro da alma. Nele, encontram-se os mais belos segredos e as mais belas histórias. Nele, vivem as mais bonitas paisagens. Nele se constroem as esperanças para amanhã e se estimula a realidade dos sonhos de ontem. A fé é mesmo isso, o que fica antes do destino, da chegada, da concretização. A fé é, por definição, o caminho.
Tratando-se de caminhos de fé, as rotas que ligam os vários pontos da Europa a Santiago de Compostela falam-nos disso mesmo: da instrospeção quieta e do desejo calado. Da oração que se faz passo a passo, na direção do santuário que não é mais do que ponto final de um percurso onde cada quilómetro é, já, expressão concreta da fé que se vive dentro e para dentro.

santiago-compostela

De Portugal, o caminho nasce junto à Via Romana e tem, muitas vezes, uma passagem pelos caminhos minhotos, a norte. Nasce em Valença, atravessa o rio Minho, segue para a Galiza, onde encontra Tuí. Do seu caminho fazem parte paisagens que bem ilustram as maravilhas da fé humana: universos telúricos, de bosque e floresta; universos patrimoniais onde se erguem igrejas e cidades históricas; universos de tudo o que figura e concretiza em verde e pedra, feito postal, a imaginação etérea do que um peregrino carrega dentro de si.

Neste artigo, falaremos desse concreto que envolve os passos de quem se aventura pelo caminho português a Santiago de Compostela e da forma como se cria, em redor dos passos, uma envolvente divina de tudo o que Portugal e Espanha têm de melhor.

1. O primeiro passo

caminho-santiago

Comecemos este caminho em Valença. Cidade minhota, onde a tradição nortenha se mantém presente, carregando a ancestralidade até ao agora e assumindo, desta forma, o seu lugar espaço onde os tempos passado e presente se beijam. Com uma história nascida da lenda de Ulisses, esta cidade foi moldada nas mãos de D. Sancho I. D. Afonso II e D. Afonso III. Com eles, tomou a forma e o nome. Das quatro portas que abrem a fortaleza ao mundo, eram duas as que, historicamente, serviam os peregrinos. Estes entravam pela porta de Santiago e saíam pela de Gabiarra, rumo a Tui.

Neste primeiro ponto da jornada, destacamos a presença de alguns edifícios religiosos. A Igreja de Santa Maria dos Anjos, a Igreja da Misericórdia ou a Igreja de Santo Estevão tratam-se de fabulosas construções medievais que merecerão a atenção de quem trilha este Caminho de Santiago.

2. Caminhos pejados de fé

Saíamos de Valença com a memória destes espaços, dispostos a limpar a alma na travessia do rio Minho. Anteriormente dependente de embarcações, esta travessia faz-se, agora, pela ponte e leva-nos até Tuí: o verdadeiro começo e primeiro ponto do Caminho Português de Santiago, na Galiza. Aqui se encontra o antigo hospital, que atualmente alberga o Museu Diocesano de Tui-Vigo e onde pode ser encontrada uma vastíssima coleção de arte sacra. Além do museu, enquanto peregrino, deve demorar-se, também, numa visita à Catedral Fortaleza de Santa Maria de Tuí, local que marca a grandiosidade do passado militar e espiritual e onde a arquitetura gótico-romana é, já, indício do estilo que marcou a catedral de Santiago de Compostela.

Também nesta cidade, valerá a pena ver a Capela da Misericórdia, os conventos das Clarissas e de San Francisco, o Mosteiro Beneditino de Rebordáns e o Mosteiro e Igreja dedicados a San Domingos.

bridge between Spain and Portugal

Saindo de Tui, rumaremos a Salcedo. Merece uma visita o promontório (ou Santiaguinho de Antas, como é geralmente nomeado). Aqui, o peregrino será convidado a conhecer os vestígios milagreiros, onde se relembra a pregação do Apóstolo. Após este momento de pausa e introspeção, chega a hora de rumar a Jacobeo e Redondela, local onde se encontra a Vapela das Angustias e a Igreja Paroquial de Santiago. De destacar, nesta última, a presença de uma maravilhosa e impar imagem de Santiago Matamouros, consagrada por Gelmíres no século XII.

Seguindo o caminho, o peregrino encontrará as mais belas paisagens, no topo do outeiro de Soutomayor, na sua passagem por Pontesampaio e na sua chegada a Pontevedra. Cidade de grande valor histórico, que preserva ainda a tradição ancestral, é aqui que podemos encontrar o famoso monumento “A Peregrina”, bem como o maravilhoso Santuário da Virgem Peregrina e o Convento de São Francisco.

Pontevedra é, provavelmente, uma das maiores cidades no caminho português de Santiago e, quem nela quiser permanecer durante mais tempo, encontrará diversos pontos de interesse no que respeita ao turismo religioso.
Ao partir, em direção a Caldas de Reyes, o peregrino encontrará a Ponte do Burgo, bem como as cidades de Alba e Peroxa. Este será um caminho onde encontrará igrejas e mosteiros antigos, de grande valor histórico e arquitetónico. Ao chegar, é indispensável uma visita à Igreja de Santa Maria de Caldas de Reis: uma igreja românica mandada erigir no século XII.

Daqui, o caminho leva a Valga, a Ponteceures e, por fim, a Padrón: um dos últimos pontos de paragem antes do destino final. Aqui, nasce uma lenda que toca o coração da fé. Diz-se, pois, que foi ali que os discípulos Atanásio e Teodora prenderam a barca que carregava o Apóstolo e que foi sobre uma pedra que colocaram Santiago tendo esta amolecido e mudado a forma até se converter em sepulcro. Esta lenda é a mesma que veio a dar o nome de Padrón à cidade.

3. O destino final

Saindo de Padrón, é hora de repousar em Santiaguiño do Monte. Neste local, o peregrino irá encontrar uma capela dedicada ao apóstolo e um altar com a sua imagem, no local onde se acredita que este tenha feito muitas das suas pregações.

obradoiro

Aqui, estaremos à porta de Santiago de Compostela. A vinte e três quilómetros de distância estará, pois, o destino final desta viagem pela fé. A entrada faz-se pela Porta Faxeira para chegar até à Catedral, que acolhe o túmulo do apóstolo Santiago Maior, o santo padroeiro de Espanha. A seguir a Roma, esta cidade é o segundo destino de peregrinação católica europeu.

Bosques, cidades, capelas, conventos e igrejas fazem parte deste caminho português a Santiago onde a palavra de ordem é a fé. Pelo caminho, os locais prometem animar e estimular os passos rumo à catedral. Desta forma, guiam e preenchem o espírito do peregrino com todas as nuances da fé dos homens. Este é, verdadeiramente, um caminho onde cada passo é já o destino.

Foto: © jorgefranco

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Sobre o Autor

Marina

Marina

Viajar alimenta-nos a alma de conhecimento das coisas, dos outros e de nós próprios. Gostava de viver mil anos para conhecer mil destinos!
É a escrita que me compensa o sonho quando a realidade tarda.

1 Comentário

  1. Jorge Manuel Pinto
    Jorge Manuel Pinto Dezembro 09, 00:03

    Interessante este texto sobre o Caminho de Santiago. Muito bem escrito, percebendo-se que a autora gosta da escrita. Terminei, à duas semanas, a minha peregrinação a Santiago de Compostela percorrendo o Caminho Português da Costa. É minha intenção escrever um livro sobre a magnifica História Compostelana e o maravilhoso Caminho Português da Costa. Por ora, e porque gostei da foto da Catedral de S. Tiago solicito autorização para inseri-la no meu livro.
    Meus parabéns.

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