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Os Cemitérios de Paris

Os Cemitérios de Paris
Maio 25
07:27 2016

Há pessoas que se sentem incomodadas num cemitério. E outras que adoram o ambiente místico, a arte dispersa pelos túmulos, as lições do passado que se podem retirar da observação cuidada das diversas áreas de um cemitério. Este artigo destina-se a este segundo grupo de viajantes. Serão apresentados os mais famosos cemitérios de Paris, como o de Père-Lachaise, o de Montmarte, de Montparnasse, e alguns outros, mais pequenos, menos conhecidos, mas não menos interessantes.

Os três principais cemitérios nasceram da mesma geração, no início do século XIX, numa altura em que a cidade crescia. Os cemitérios mais pequenos, junto ao núcleo histórico, foram-se esgotando e surgiram estes enormes espaços, no que então eram campos baldios fora da cidade.

Cemitério de Père-Lachaise

cemiterio Pere Lachaise, cemitérios de Paris

A sua área é tão ampla que se pode chegar através de três estações diferentes de metro (Père-Lachaise, Philippe-Auguste ou Gambetta). Abriu em 1804 e na altura era tão afastado da cidade que se temeu o fiasco total. Simplesmente ninguém queria os seus entes queridos sepultados no meio de nenhures. para tentar ultrapassar o problema a administração do Père-Lachaise conseguiu trasladar os restos mortais de Jean de La Fontaine e de Moliére para o seu terreno. A operação de marketing foi um sucesso e não mais surgiram problemas de falta de utilização.

O cemitério é tão grande que parece conter diferentes personalidades. Em algumas zonas sentimo-nos numa floresta densa, o caminho sulcando por entre árvores frondosas, os túmulos como que escondidos em recantos obscuros. Depois abre-se, e passamos a andar em espaços amplos, mais organizados, até chegarmos ao local onde se encontram os memoriais, tombas simbólicas para os mortos sem nome de mil guerras, para as vítimas dos campos de extermínio nazis.

A lista de personalidades famosas aqui enterradas é imensa. Ficam aqui alguns nomes, meramente a título exemplificativo: Edith Piaf, Oscar Wilde, Marcel Proust, Jim Morrison, Chopin, Champollion, Augusto Comte, Balzac, Delacroix.

Cemitério de Montmartre

Cemiterio de Montmartre, cemitérios de Paris

No famoso bairro parisiense de Montmartre – o mesmo que serviu de cenário ao filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – encontramos outro cemitério de grande significado histórico.

Foi inaugurado em 1825, num local onde existia já um cemitério desde tempos imemoriais. Sendo mais pequeno que o enorme Père-Lachaise tem um ambiente um pouco mais “urbano”, com os espaços a serem aproveitados de forma mais rigorosa, sem zonas de bosque, com uma densidade superior.

Mas em termos estéticos o valor é equivalente. Também aqui a tranquilidade reina, e é num ambiente adequado para a reflexão que o visitante pode caminhar por entre as campas deliciando-se com as autênticas obras de arte que adornam as pedras tumulares.

Para ali chegar poderá o visitante usar as estações de metro de Blanche ou de Place de Clichy, mas o cemitério, estranhamente, tem apenas uma entrada, localizada na avenue Rachel.

Não se encontram aqui campas de nomes tão sonantes como noutros cemitérios parisienses, o que é bizarro considerando a enorme importância de Montmartre. Mesmo assim o visitante estrangeiro poderá reconhecer os nomes de Dalida, de Berlioz ou de Emile Zola.

Cemitério de Montparnasse

Abriu apenas um anos antes que o de Montmartre, localizando-se numa área relativamente mais afastada. Pode ser alcançado através das estações de metro Edgar Quinet ou Raspail. Poderá não oferecer os detalhes artísticos dos dois outros grandes cemitérios de Paris, mas encontram-se aqui os túmulos de grandes nomes da cultura francesa e mundial, sobretudo dos finais do século XIX e primeira metade do século XX. Vejamos… temos Marguerite Duras e Emile Durkheim, Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre, Samuel Beckket e Andre Citroen, Raymon Aron e Jean Hachette.

Independentemente da sonoridade dos nomes que aqui encontraram o derradeiro repouso, se apenas deseja visitar um ou dois dos cemitérios de Paris talvez possa deixar este de fora.

Mais Duas Sugestões

cemiterio passy, cemitérios de Paris

O Cemitério de Passy é um segredo bem escondido. Encontra-se bem perto da Torre Eiffel, do outro lado do Sena, podendo alcançar-se a pé num passeio pelos locais mais simbólicos da capital francesa. É relativamente pequeno, não se vêem por lá muitos turistas. Mas por isso mesmo constitui uma excelente opção e merece os dez minutos que uma visita mais casual exigirá.

De lá pode-se avistar a Torre, numa perspectiva pouco vista, por entre pedras tumulares ricamente ornamentadas.

Apesar da sua localização mais central abriu apenas em 1820. Talvez pela posição central que ocupa tem uma densidade impressionante de “notáveis” entre os nomes que se encontram inscritos nas suas pedras tumulares, como Manet e Renault, ou o último imperador do Vietname, Bao Dai.

Por fim, Picpus. Um cemitério diferente de todos os outros. O mais antigo e com uma história mais bizarra: em 1794 decorria o auge da matança que se seguiu à Revolução Francesa. As guilhotinas revolucionárias não tinham descanso e os corpos decepados empilhavam-se. E é neste contexto que entre Junho e Julho desse ano chegam aos terrenos ocupados pelo cemitério de Picpus cerca de 1300 corpos. Foram enterrados em valas comuns.

É um cemitério bem pequeno, e para além da originalidade macabra da sua criação, ainda bem clara nas vedações e no espaço por onde entravam as carruagens para despejar as vítimas da sede de sangue republicana, contém outro elemento especial: o famoso general Lafaeyette, personagem determinante na Guerra da Independência dos EUA, encontra-se ali sepultado.

Infelizmente as horas de abertura deste cemitério são um pouco erráticas pelo que se aconselha uma abordagem prudente à sua visita, sem grandes expectativas.

Com vontade de conhecer estes e outros cemitérios de Paris? A Rumbo tem voos baratos para Paris em qualquer altura do ano!

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

1 Comentário

  1. teresa
    teresa Maio 29, 13:09

    Acho muito útil, para quem gosta de viajar

    Responder a este comentário

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