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Chipre, uma ilha dividida

Chipre, uma ilha dividida
Março 15
09:18 2016

Em Novembro de 1989 demolia-se na Alemanha o muro de Berlim. A 2500 quilómetros dali, na ilha de Chipre ficava então Nicósia como a única capital dividida da Europa. Barricadas, sacos de areia, arame farpado, muros e portões continuam, desde os anos 1970, a dividir a ilha em dois cortando a capital a meio.

Tudo começou com a declaração de independência dos cipriotas gregos em 1960, após vários anos como colónia britânica. O novo estado não foi bem aceite pela população turca, tendo ocorrido vários conflitos nos anos seguintes. Em 1974 a Turquia invade a ilha e, em 1983 é autoproclamada a independência da República Turca do Norte do Chipre, país apenas reconhecido pela Turquia. A ONU mantém uma força de paz a patrulhar a fronteira, conhecida como “Linha Verde”.

linha-verde

As águas quentes do Mediterrâneo atraem anualmente milhares de turistas, particularmente do Ruino Unido, que se dirigem sobretudo à parte sul da ilha. Você pode fazer o mesmo procurando o seu voo barato no Rumbo. Mas não fique só pelas praias do sul! Venha explorar ambos os lados desta ilha dividida.

Pode então chegar ao Chipre de duas formas: de avião, e existem vários  voos baratos para a ilha,  ou, para os mais aventureiros, de barco utilizando a linha regular que liga diariamente a Turquia ao porto de Girine, no norte da ilha.

Sendo uma das maiores ilhas do Mediterrâneo, localizada em posição estratégica para as rotas marítimas, desde cedo que o Chipre se tornou num importante ponto de paragem para os navios que cruzavam o mar.

Os vestígios da presença humana remontam ao sétimo milénio antes de Cristo e encontram-se em Choirokoitia, as ruinas de um aglomerado humano considerado património da humanidade pela UNESCO.

Quem chega de barco, fá-lo principalmente vindo da Turquia. Os barcos partem diariamente do porto de Tasucu e umas oito horas depois atracam no porto de Girne.

girne

Girne em turco ou Cirénia em grego é uma importante cidade portuária do norte da ilha desde os tempos da antiguidade clássica. Quando nos aproximamos de barco, mais do que o forte que durante séculos protegeu o porto, destaca-se a cordilheira montanhosa que se eleva como uma muralha no horizonte.

Varosha, que até 1974 foi uma das principais estâncias balneares do Mediterrânio, é hoje uma das maiores áreas urbanas abandonadas do Mundo. Um verdadeiro exemplo do que seria o Mundo se o Homem desaparecesse da face da terra. Ali ao lado, em Farmagusta a mesquita de Lala Mustafa Pasha é mais um testemunho da história atribulada da ilha. À semelhança da mesquita de Córdoba convertida em catedral, aqui foi a catedral gótica que foi adaptada a mesquita pelos Otomanos, com uma das suas torres convertida em minarete.

farmagusta

Cruzar a “linha verde” entre o norte e o sul já não é um problema e pode fazê-lo quantas vezes quiser durante a sua estadia.

Também em Nicósia encontramos as catedrais transformadas em mesquitas, os bazares, as muralhas abaluartadas e alguns turistas, num centro histórico esmagado pelo crescimento urbano em redor.

O motivo mais óbvio para visitar a ilha de Chipre são as praias. O calor das areias brancas, as águas quentes do Mediterrâneo, os laços históricos com o Reino Unido (que ainda hoje detém dois enclaves na ilha) e a proximidade geográfica à Rússia e Europa do Leste, fazem destas um destino de eleição para os turistas destes países.

Larnaca e Ayia Napa, na costa sul da ilha, são nomes a reter se o que procura são as praias ou a animação nocturna que vem normalmente associada.

Já não é de agora o fascínio pelas praias do Chipre. A mitologia grega dizia ser próximo de Paphos o local de nascimento de Afrodite, deusa da beleza, do amor e da sexualidade.

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Paphos foi uma importante cidade romana como o testemunham as ruínas que hoje podemos visitar, normalmente sob um sol abrasador, e que contêm um espólio de mosaicos romanos de uma beleza ímpar a escassas dezenas de metros do mar.

Longe da maioria dos turistas, nas montanhas de Troodos, os frescos de pequenas igrejas hoje classificadas como património da Humanidade, guardam a religiosidade dos cipriotas escrita nos seus belos frescos.

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A subida termina a quase 2000 metros de altitude. Aqui, também a ilha de Chipre tem o seu próprio Monte Olimpo de onde, do topo da cordilheira de Troodos, os Deuses vão ditando a história desta ilha dividida.

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Sobre o Autor

Samuel Santos

Samuel Santos

Em 2005 viajou até à Guiné com um grupo de escuteiros e, o contacto com aquele continente marcou-o de tal forma que no ano seguinte regressou, de carro. Decidiu começar a escrever o blog “Dobrar Fronteiras” (http://www.dobrarfronteiras.com/) com o intuito de inspirar e ajudar aqueles que lhe queiram seguir as pisadas. Acredita que viajar é para todos e sempre que pode, põe a mochila às costas e vai viajar.

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