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Duas Semanas Sem Dinheiro em Cuba

Duas Semanas Sem Dinheiro em Cuba
Abril 30
12:00 2015

Será mesmo verdade que uma pessoa pode passar duas semanas em Cuba sem gastar virtualmente dinheiro? Bem, assim postas as coisas, não. Pelo menos o comum dos mortais. Agora, o que é possível é gastar mesmo muito pouco se se excluir alguns gastos incontornáveis.

Alojamento e Transportes

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Antes de mais, o alojamento será sempre uma despesa incontornável. O campismo não está ao alcance dos estrangeiros e mesmo ficar em casa de alguém conhecido é complicado. Resta portanto viajar com pacote de férias completo ou… Aventurar-se e organizar a sua própria viagem. E a maioria dos que optam por esta segunda hipótese fazem-no recorrendo às casas particulares, o turismo de habitação autorizado pelo Estado. O viajante ficará assim hospedado em casas privadas, pagando ao anfitrião um valor que ronda os 25 CUC por dia, apenas pela dormida.
A outra despesa que dificilmente será evitada diz respeito aos transportes de longa distância. Viajar de comboio é uma aventura apenas recomendável aos viajantes mais experientes e pacientes. Em termos práticos restam os autocarros. Ora para tal os cubanos usam a empresa estatal, a Astro, mas para os estrangeiros obter um bilhete é algo complicado, por vezes impossível. Mas não se preocupe: a Via Azul é uma companhia criada para servir as necessidades dos muitos turistas que acorrem a Cuba e que lhes permite um transporte simples e eficiente entre as principais cidades. Mesmo assim será uma despesa considerável no orçamento, assumindo que procurará ver um pouco mais de Cuba para além dos encantos de Havana. Para ter uma ideia, uma viagem de Havana até à pitoresca Trinidad custará 25 USD. São cerca de 350 km. Para viajar até Cuba, poderá sempre procurar voos baratos no site da Rumbo.

Pesos Convertíveis e Pesos Nacionais

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Até agora os dois preços referidos foram dados em moedas diferentes. CUC. USD. Mas isto ainda se vai complicar mais. É que existem duas moedas paralelas em circulação. Vejamos: até há algum tempo atrás os estrangeiros podiam apenas efectuar pagamentos em Dólares dos EUA. Depois, foram introduzidos os CUC, ou Pesos Convertíveis, a que os cubanos chamam divisa, e que estão indexados aos USD. Mas o mais interessante vem agora: mais recentemente os visitantes passaram a poder obter CUP, ou Pesos Cubanos, que os locais designam por moñeda nacional. E é esta a chave da questão.
Um CUP vale 1/23 de um CUC. Em Euros isso dá cerca de 0,03 EUR. E basicamente é a moeda utilizada em quase tudo o que não é criado a pensar nos turistas. É verdade que há estabelecimentos onde se paga em CUC e onde não se vêem muitos estrangeiros. Frequentá-los tornou-se um sinal de estatuto para os cubanos que, sinal dos tempos e do peso do turismo na economia do país, começam a ter esta moeda forte nos bolsos.
O truque está em obter moñeda nacional, o que se pode fazer em qualquer casa de câmbio desde que já se tenham CUC’s na carteira. A partir daí as despesas tornam-se residuais. Em duas semanas o autor gastou menos de 35 Eur. E isto para tudo excepto, lá está, o alojamento e o transporte de longa distância. Vejamos como.

Um dia quase sem gastos

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Saída de casa pela manhã. O pequeno-almoço fornecido pelo anfitrião por 3 CUC está dispensado. Dois minutos depois encontramos a primeira cafetaria. Muitas vezes estas cafetarias não são mais do que a janela de uma casa a partir da qual são vendidas sandes, bolos e bebidas. Vejamos os preços, pagos em CUC, mas já transformados em Eur para facilitar a vida ao leitor. Um copo de sumo natural, de goiaba, maracujá ou ananás: 0,09 EUR. Uma pequena sandes de omelete ou de queijo com compota de goiaba: 0,09 EUR. Com o estômago saciado podemos prosseguir.
Mais tarde, com o aproximar da hora do almoço, podemos parar noutra cafetaria ou procurar uma pizzaria de rua, onde uma pequena pizza individual ou um prato de esparguete com queijo custará 0,35 Eur. Depois, atravessa-se a rua e encomenda-se ao vendedor itinerante um pacote de churros doces por algo como 0,20 Eur. Está servida a sobremesa.
Utilizar táxis está vedado ao viajante que não quer gastar muito dinheiro. Imaginemos que precisa de se deslocar em Havana uns 8 ou 10 km. Para caminhar já será um pouco de mais, mas usar um táxi custará 10 CUC. Para cada lado. O que fazer? Poderá ir de táxi partilhado. Está a ver aqueles velhos carros americanos dos anos 50 ou 60 que imaginamos quando pensamos em Cuba? A maioria deles são táxis partilhados. Vai-se para uma rua onde costumam passar, ao ver-se que se aproxima, faz-se sinal para parar. Depois, pergunta-se ao motorista se vai para onde queremos… Ele responderá… Poderá ser que não… E nesse caso repete-se o processo até se ter sucesso. E quando isso sucede, é só entrar, sentar, possivelmente ao lado de algum cubano e desfrutar de um passeio a bordo de um verdadeiro americano, como lhe chamam os cubanos. Ah! Em vez dos 10 CUC paga-se 0,60 EUR.
À volta, se se proporcionar. Poderá usar um autocarro da cidade. O preço da viagem descerá ainda mais, para 0,06 EUR.

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O que fazer agora? Porque não comprar uma cópia do jornal oficial do Partido, o Granma, e procurar um local para o ler com um copo de rum? Escolha o ardina que lhe pareça certo e não fale muito… Pegue no jornal em espanhol, passe o dinheiro… Será 1 CUP. 0,03 EUR. E agora procure uma tasca local e encomende um rum. Adicione 0,06 EUR às suas despesas do dia.
Está em Havana e quer visitar as fortalezas do outro lado do porto? O turista comum irá de táxi ou contratará mesmo um guia com carro privado. Mas barato mesmo é apanhar o ferry local e simplesmente ir… por… 0,03 EUR.
Mesmo que se canse de comer pizzas e esparguete, pode encontrar restaurantes estatais que servem uma gama de refeições mais variadas, com um ambiente relativamente requintado por menos de 5 EUR. Procure deixar um pouco de espaço no estômago para a sobremesa. A Coppelia é uma instituição. É a rede de gelatarias estatais, presente com uma loja em cada cidade, onde se podem comer pratos com cinco ou seis bolas de gelado por 0,15 EUR. Não vá é a pensar que está em Itália. Os gelados são bons, mas geralmente é servido apenas o sabor do dia. Mas que bem que sabe… polvilhado com bolacha e açúcar amarelo… um gelado quase gratuito. Para terminar o dia em beleza.

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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