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Pela Ilha de Moçambique

Pela Ilha de Moçambique
Setembro 25
07:16 2015

O José não é só mais um dos muitos jovens que brincam alegres nas ruas da ilha de Moçambique é também, segundo as suas palavras, o melhor guia que podíamos contratar para nos mostrar a ilha.

Tínhamos acabado de chegar, depois de umas duas horas e meia de viagem apertados num “chapa” desde Nampula, mais umas cinco de espera para que este enchesse e partisse, quando o conhecemos no centro de atividades de uma ONG.

Tem destas coisas viajar de forma independente em Moçambique. Quem não tem carro próprio ou alugado, tem de se sujeitar às longas horas de espera para que os desconfortáveis “chapas” tenham passageiros que justifiquem a partida. Criam-se assim ótimos momentos de convivência com a população local, já habituada a estas rotinas.

Felizmente mesmo para quem não está disposto a estas aventuras, pode reservar o seu voo barato para Moçambique na Rumbo e depois tratar tudo com um dos muitos hotéis da ilha.

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Praia na ilha de Moçambique (Autor: Rosino / Flickr Creative Commons License)

Ser guiado por uma pessoa da terra leva-nos inevitavelmente a conhecer parte do seu mundo. Se essa pessoa é uma criança, a viagem será pelo mundo das crianças: a escola onde estuda, a praia onde vai nas horas vagas, as ruas onde brinca com os amigos, os bares onde os colegas mais velhos já vão beber uma cerveja, os monumentos que já estudou nas aulas de história, as casas das famílias ricas, que os fazem sonhar e que se destacam numa terra onde há tão pouco.

“Com o dinheiro que vou juntando, vou comprar uma bicicleta!” – conta ele com um brilhozinho nos olhos.  “Depois, alugo-a aos meus amigos.” Ficamos a pensar que o que faz falta em Moçambique são mais jovens com um espírito empreendedor como o José.

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Nascer do sol sobre o Oceano Índico

Desde que em 1498 Vasco da Gama parou aqui na sua viagem marítima para a Índia que esta ilha ganhou uma especial ligação a Portugal e aos descobrimentos marítimos. A ilha de Moçambique passou a ser um importante entreposto comercial, onde os comerciantes trocavam panos e missangas trazidas da Índia por ouro, marfim e pau-preto africanos.

A ilha foi assim ao longo dos séculos um ponto de encontro, nem sempre pacífico, de culturas. Prova disso é que, ainda hoje, numa ilha com apenas uns três quilómetros de comprido por trezentos ou quatrocentos metros de largura, encontramos locais de culto tão variados como um templo hindu, mesquitas e várias igrejas e capelas.

Classificada em 1991 pela UNESCO como património da humanidade, a ilha esforça-se por conservar o importante legado que a história lhe deixou de herança. Uma visita a esse património começa inevitavelmente no palácio dos Capitães-Generais, também conhecido como palácio de São Paulo.

Palácio dos Capitães-Generais, antigo colégio dos Jesuítas moçambique voos baratos

Palácio dos Capitães-Generais, antigo colégio dos Jesuítas

Inicialmente, colégio da Companhia de Jesus, depois palácio do governador, este importante edifício recentemente restaurado é hoje um museu onde o visitante se sente especial. Os escassos visitantes são recebidos e guiados ao seu ritmo pelas várias salas do palácio. Os sapatos ficam à entrada para não danificar os seculares tapetes que cobrem o chão de um espaço decorado com o que de melhor se produziu em toda a orla do oceano Índico.

Como o bilhete aqui adquirido segue-se para o topo mais a norte destes três quilómetros de terra, ocupados pela fortaleza de São Sebastião.

Importante obra militar iniciada no século XVI, aqui não encontramos a atenção que nos foi dada no palácio. Toscas chapas de zinco fecham a entrada na fortaleza, como se de um estaleiro de obras se tratasse. O velho guarda, quando nos avista, larga a cerveja que bebe numa esplanada ali perto e vem abrir-nos o portão.

O forte é pouco mais que um conjunto de paredes brancas, mudas, mas certamente com muitas histórias para contar. Velhos canhões ferrugentos esperam um inimigo que já não vem.

A cada passo, portas fechadas, normalmente apenas no trinco, tentam impedir-nos de prosseguir a visita. Não há ninguém para nos guiar, mas também nada nos impede de chegar até à mais antiga igreja construída no hemisfério sul: a capela da Senhora do Baluarte, único exemplar da arquitetura manuelino no país.

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Igreja de Nossa Senhora do Baluarte

Em frente ao velho hospital, um dos mais belos edifícios da ilha, paramos na típica barraca da Dona Sara para antes de partirmos, nos deliciarmos com um arroz de coco acompanhado por caril de camarão.

Saímos da cidade de pedra, passamos a cidade de “macuti” e, sobre a ponte que hoje a liga ao continente, despedimo-nos da ilha. Hoje os barcos das grandes rotas marítimas já não param aqui mas mais a norte, no porto de Nacala. A ilha já não é mais a capital de Moçambique e para seguir viagem temos de voltar ao “chapa” para Nampula, onde aí podemos encontrar comboios, autocarros, aviões: novas formas de nos ligarmos ao mundo.

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Sobre o Autor

Samuel Santos

Samuel Santos

Em 2005 viajou até à Guiné com um grupo de escuteiros e, o contacto com aquele continente marcou-o de tal forma que no ano seguinte regressou, de carro. Decidiu começar a escrever o blog "Dobrar Fronteiras" (http://www.dobrarfronteiras.com/) com o intuito de inspirar e ajudar aqueles que lhe queiram seguir as pisadas. Acredita que viajar é para todos e sempre que pode, põe a mochila às costas e vai viajar.

1 Comentário

  1. Filipe Morato Gomes @ Alma de Viajante
    Filipe Morato Gomes @ Alma de Viajante Outubro 13, 11:07

    Belo relato sobre uma parte de Moçambique que (ainda) não conheço. Obrigado pela crónica e parabéns ao autor.

    Responder a este comentário

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