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Italian Wonder Ways: Seguindo os passos de S. Francisco de Assis até Roma

Italian Wonder Ways: Seguindo os passos de S. Francisco de Assis até Roma
Janeiro 16
09:40 2017

Em Itália há novos pretextos para conhecer a zona centro do país. O recém-apresentado projeto Italian Wonder Ways tem seis percursos para divulgar, com monumentos, gastronomia, tradições, cultura e festas para descobrir pelo caminho.

Os caminhos a descobrir são:

  • O Cammino Francescano dela Marca (Vila Lauretana, de Loreto a Assis);
  • Via de S. Francesco (de La Verna a Assis)
  • Via Francigena do Norte (de Lucca a Roma) e a do Sul (de Formia a Roma)
  • Caminho de Benedetto (de Norcia a Cassino)
  • e a Via Amerina, de Assis a Roma.

O Viaje Comigo participou na primeira edição deste Italian Wonder Ways e fez o caminho da antiga Via Amerina, um percurso que passa por ruínas desta antiga e importante estrada romana, por onde Imperadores passaram.

Além disso, aqui se fazem os Caminhos da Fé, por onde passa o Cammino dela Luce, datado do século III a.C. por onde passavam os peregrinos.

Cammino della Luce

Cammino della Luce

Durante sete dias percorremos uma das vias usadas por S. Francisco e os caminhos que ele tantas vezes percorreu até Roma.

O nosso percurso começou em Assis, terra-natal de S. Francisco, onde fundou a Ordem dos Franciscanos no século XIII. Também é a terra-natal de Santa Clara de Assis que fundou a Ordem das Clarissas.  A Basílica de São Francisco de Assis é um monumento classificado como Património Mundial da UNESCO.

Mas o que mais surpreende nestes caminhos – e, afinal, todos os caminhos vão mesmo dar a Roma! – é estarmos relativamente perto da capital, no centro do país, e haver todo um cenário verde e muito rural que nos vai acompanhar em quase todas as cidades e vilas por onde passamos.

Caminhos rurais

Caminhos rurais

Nesta iniciativa, passamos por variadas cidades. De manhã fazíamos o caminho a pé e de tarde ficávamos a conhecer as localidades, os seus monumentos, as suas tradições e, claro, a sua gastronomia… ou não estivéssemos nós em Itália!

Dentro do nosso programa passamos por locais interessantes como Avignamo Umbro, Castel dell’Aquila, Amelia, Orte, Gallese, Cochiano, Civita Castellana, Morticelli, Nepi, até chegarmos a Roma, passando pelo parque verde da capital, Monte Mário, e até chegarmos ao Vaticano. O nosso programa era, como estão a ver, bastante puxado e cansativo, mas foi a única forma de termos ficado a conhecer todos estes locais.

O que aconselho? A fazerem o percurso com maior número de dias – uns 10 dias talvez – para conseguirem fazer as caminhadas e conhecer os locais sem andarem a correr.

De todos os sítios por onde passamos, existem claro cidades que marcaram mais do que outras. Foi o caso de Amelia.

Amelia

Amelia

Na região de Úmbria, Amelia é uma pequena cidade com cerca de 12 mil habitantes. Fica a 100 Km de Roma e tem um centro histórico muito pitoresco. A partir do topo do monte, conheça a catedral – do século XI e dedicada à padroeira Santa Firmina – e depois desça pelas suas ruas estreitas, de casas típicas, decoradas com vasos, e pedaços de história à mostra, como é o caso da estrada romana do século I a.C.

Não deixe de provar os medalhões de Amelia (doces com recheio de figo) e os Fichi Girotti, um outro doce de figo e cacau, que é especialidade desta terra.

Casa em Amelia

Casa em Amelia

As caminhadas diárias na Via Amerina davam-nos a descobrir monumentos seculares, no meio do nada, e também património natural. Pelo caminho temos sempre no horizonte o Monte Soratte – que os antigos tratavam como uma divindade – com um comprimento de 5,5 Km e com o ponto mais alto a 691 metros acima do nível da água.

Ficamos uma noite em Amelia o que nos permitiu conhecer melhor, mas logo tivemos de partir para Orte e depois Civita Castellana, que também nos surpreenderam pelos seus centros históricos que parecem cenários de filmes, de tão organizados que são, e com muita vida.

Torre de Orte

Torre de Orte

Antes de chegar a Orte, pode visitar as ruínas de um antigo porto romano, chamado de Seripola, datado do século II a.C. Em Orte, além dos seus museus e igrejas, não deixe de fazer a visita aos túneis subterrâneos que existem por baixo das ruas. O Orte Underground mostra uma autêntica cidade debaixo dos nossos pés.

Foi em Civita Castellana que ficamos duas noites seguidas instalados, o que deu para recuperar do cansaço que já se começava a sentir nas pernas e pés. A cerca de 70 Km de Roma está esta acolhedora cidade, na região de Lázio. Visite a Fortaleza de Sangalo, construída a pedido do Papa (Borgia) Alexandre VI, que tem um museu incluído e a Catedral de Santa Maria Maggiore, do século XII. Apesar de estarmos cansados, a única forma de conhecer esta cidade… é a pé, descobrindo as suas casas coloridas e fachadas com séculos de história ainda à mostra.

Ponte de Civita Castellana

Ponte de Civita Castellana

Metemos os pés de novo ao caminho, em direção a Roma, e paramos na Chiesa di D. Maria em Falleri, para conhecermos também mais ruínas da importante Via Amerina. A estrada de Falerii Novi ainda está em bom estado de conservação e com rochas que mantêm as marcas das rodas das carruagens antigas que por ali passaram.

Se passar por Nepi, não deixe também de visitar dois locais históricos: o Castelo dos Bórgia (onde viveu Lucrécia Borgia) e as catacumbas de Santa Savinilla.

A cada cidade que conhecemos estamos mais perto de Roma. No último dia de caminhada, fizemos o percurso no pulmão verde da capital italiana, ou seja, na Reserva Natural Insugherata, passando no Monte Mário, de onde se tem uma vista panorâmica fantástica sobre a capital italiana.

Antes de entrarmos no Vaticano, ficamos a conhecer a paróquia e a Igreja de S. Lazaro. O percurso da Via Amerina está prestes a terminar… Como éramos um grupo muito grande (mais de 100 pessoas) ficamos num hotel fora de Roma. Mas aconselho sempre a ficar no centro para se poder deslocar facilmente. A ideia desta peregrinação é terminar na Praça de S. Pedro, no Vaticano, onde o Papa dedicará, na sua homilia semanal, algumas palavras aos peregrinos.

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Apesar de estes caminhos terem uma ligação à religião, e serem levados em parte como uma peregrinação, o projeto Italian Wonder Ways prova que qualquer pessoa pode fazer estes percursos. Mesmo os que acham que estão em baixo de forma para fazerem cerca de 10 Km por dia!

Faça mais paragens, fique a conhecer mais cidades pelo caminho, e procure descansar mais se precisar. Aproveite para conhecer melhor as vilas, as suas festas e gastronomia. Apesar de termos passados por locais lindíssimos, ficamos pouco tempo em cada um deles. Quem sabe um dia voltaremos a estas estradas com tanta história.

Boas viagens!

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Sobre o Autor

Susana Ribeiro

Susana Ribeiro

Jornalista, adora contar histórias e é uma apaixonada por viagens. Susana Ribeiro encontra sempre um pretexto para passear. Depois de escrever, para vários órgãos de informação, sobre turismo, gastronomia, vinhos e viagens... decidiu colocar todas as suas dicas no ViajeComigo.com. As suas sugestões são para incentivar outros a descobrirem novas paragens. Por isso, diz: "Há sempre um sítio novo para conhecer, nem que seja na sua própria cidade. Cada viagem e viajante são singulares. Conheça o mundo à sua maneira".

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