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O que ver

Jerusalém, a sagrada

Jerusalém, a sagrada
Abril 29
08:25 2016

A quem viaja frequentemente perguntam qual o país favorito. Nunca sei responder a esta pergunta, mas, descendo mais ao detalhe, não tenho a mínima dúvida em nomear a minha cidade favorita: Jerusalém. Al-Quds, “a sagrada” como lhe chamam os árabes.

As pedras de Jerusalém transpiram história, religião, sangue derramado ao longo dos milénios pela posse da cidade mais cobiçada do mundo. As pedras de Jerusalém respiram o cheiro das especiarias, a azáfama mercantil dos bazares, o fumo do incenso queimado nas suas igrejas.

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jerusalem-cidade-velha

Inicio esta visita a Jerusalém pela porta de Jaffa, junto à cidadela, antigo palácio de Herodes, hoje museu. Para trás de nós fica a moderna Jerusalém. À direita temos o bairro arménio, à esquerda o bairro cristão. É neste bairro que encontramos o local mais sagrado para os cristãos, a basílica do Santo Sepulcro, onde segundo a tradição morreu, foi sepultado e ressuscitou Jesus Cristo. É este o ponto final da Via Dolorosa, o caminho que tradicionalmente Jesus seguiu após a sua condenação à morte.

via-dolorosa

Embora já pouco fiel ao traçado original, este caminho que se inicia junto à Porta dos Leões e atravessa todo o bairro muçulmano é percorrido por milhares de fiéis que rezam ao longo das estações da via-sacra. Este é o bairro de eleição para petiscar comida de rua, especialmente junto à porta de Damasco, talvez a mais imponente das oito portas da cidade.

É em Jerusalém que encontramos os locais mais sagrados para os judeus: o Muro das Lamentações e o Santo dos Santos. Dada a tensão que, como todos sabemos, se vive nesta cidade, os controlos militares são uma constante quando nos aproximamos destes locais mais sensíveis. O Muro das Lamentações é o que resta do segundo templo, construído no mesmo local onde se erguia o templo de Salomão e onde era guardada a Arca da Aliança.

Mais sagrado que o Muro das Lamentações só o “Santo dos Santos”, que corresponde à sala interior do templo, hoje sob a esplanada das mesquitas, só acessível por túneis.

domo-da-rocha

O acesso à esplanada das mesquitas, ou Monte do Templo, é ainda mais controlado. Local sagrado para Judeus, Cristãos e Muçulmanos que acreditam ter sido aqui que: Abração tentou o sacrifício do seu filho Ismael; que Salomão construiu o templo para albergar a Arca da Aliança; que Maomé ascendeu ao Paraíso para falar com os profetas.

O monte é hoje dominado pelo Domo da Rocha, o edifício mais marcante no horizonte da cidade, com os seus azulejos azuis e a cúpula dourada. Já fora das muralhas, o Monte das Oliveiras coberto por túmulos judaicos é o local para terminar o dia com uma maravilhosa vista sobre a cidade velha.

monte-das-oliveiras

Saindo das muralhas pela porta de Damasco encontramos os mini autocarros brancos com letras azuis em árabe. Conduzidos por homens como um lenço axadrezado à cabeça, não restam dúvidas quanto ao destino: Territórios Palestinianos.

Em poucos minutos chegamos ao checkpoint israelita onde, com um passaporte europeu, rapidamente cruzamos o muro que nos separa da Palestina. Entra-se diretamente em Belém e pouco mais de quilómetro e meio separam-nos da basílica da Natividade, onde sob os seus pilares podemos descer à gruta onde nasceu Jesus.

basilica-natividade

Recordando agora, as diferenças para o outro lado do muro não são tantas assim. Quase sempre acompanhados de uma tradução em inglês, os letreiros não são em hebraico, mas no igualmente incompreensível árabe; as caixas multibanco não fornecem Shekels israelitas mas sim Dinares da Jordânia ou dólares americanos.

Oportunidades recusadas a quem vive aqui ditam uma vida mais pobre e cinzenta como o muro de betão que acabamos de atravessar. Sobram a alegria, a boa comida e a simpatia dos palestinianos.

rua

Não se passa um dia em Belém sem se ser convidado para entrar numa casa de família, para ouvir falar das dificuldades da vida nesta terra, do inimigo israelita. Tal como não se passam cinco minutos numa rua de Israel sem ver passar um jovem, ainda sem barba, mas já com a sua arma ao ombro. Um jovem ou uma jovem porque aqui o serviço militar é obrigatório para todos.

A Jerusalém voltava ainda hoje. Não fossem os condicionalismos da vida e voltava já; tanto Mundo que ainda quero conhecer … A Belém, também hei-de voltar. Talvez num próximo Natal, para o celebrar onde tudo começou.

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Sobre o Autor

Samuel Santos

Samuel Santos

Em 2005 viajou até à Guiné com um grupo de escuteiros e, o contacto com aquele continente marcou-o de tal forma que no ano seguinte regressou, de carro. Decidiu começar a escrever o blog "Dobrar Fronteiras" (http://www.dobrarfronteiras.com/) com o intuito de inspirar e ajudar aqueles que lhe queiram seguir as pisadas. Acredita que viajar é para todos e sempre que pode, põe a mochila às costas e vai viajar.

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