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Jordânia: A Rota dos Castelos do Deserto

Jordânia: A Rota dos Castelos do Deserto
Abril 04
08:00 2016

A principais atracções turísticas da Jordânia são bem conhecidas: Petra, o deserto de Wadi Rum, as costas do Mar Morto, a cidade romana de Jerash, os locais bíblicos como o Monte Nebo. Mas quem desejar um pouco mais de aventura, quem procurar afastar-se das rotas mais populares, poderá considerar uma volta pelo deserto orientar, tocando os chamados “Castelos do Deserto”.

O Passado dos Castelos do Deserto

Stone well in Qasr Al Hallabat desert castle

Stone well in Qasr Al Hallabat desert castle

A maioria das edificações integradas no grupo “Castelos do Deserto” data do século VII e foram construídas durante a dinastia Umayad, embora em alguns casos tenham sido aproveitadas estruturas militares previamente erigidas pelos romanos.

A função inicial desta série de “castelos” é ainda hoje discutida pelos especialistas. Durante muito tempo acreditou-se que se tratavam de pontos de retiro dos governantes, gente fortemente ligada a um estilo de vida nómada, com dificuldades de adaptação ao bulício de Damasco, de onde então se dirigia o Império Árabe. Mas correntes de investigação mais recentes apontam para uma função agrícola ou para entrepostos de ligação entre a dinastia dominante e os seus apoiantes mais remotos.

A Experiência do Deserto

À medida que nos afastamos de Amman e nos internamos no deserto há um sentimento perturbante, de isolamento crescente, de solidão. Claro que apesar do tráfego ser reduzido não existe perigo real. Os jordanos são dos povos mais hospitaleiros e qualquer estrangeiro em dificuldades será auxiliado a todo o custo. Mas mesmo assim a imensidão do vazio exerce uma pressão poderosa. Especialmente quando nos aproximamos dos pontos mais distantes deste passeio, já bem internados no deserto, com sinais de trânsito a indicar o Iraque e a Arábia Saudita.

Alguns destes “castelos” estão hoje integrados em povoações que cresceram em seu redor ao longo dos séculos. Água e alimentação não serão problemas.

Os Quatro Castelos do Círculo

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Qusayr Amra

Quem chega à Jordânia por via aérea poderá desde logo explorar o “castelo” de Mushatta, localizado por detrás das pistas do aeroporto internacional Queen Alia. É o maior de todos os “castelos” do deserto, mas encontra-se um pouco afastado da rota habitual, pelo que deverá ser visitado de forma independente.

Qasr Hallabat

Originalmente uma edificação militar romana, transformada em mosteiro no século VII. Pouco depois os Umayadas fortificaram o local e decoraram-nos com frescos e talha na pedra. Hoje em dia pouco do que se vê no local é original. A reconstrução é grosseira e muito do encanto histórico do local foi perdido. A poucos quilómetros encontram-se uns banhos, também restaurados (Hammam as-Srah).

Qasr Azraq

Este castelo tem uma característica única: construído com pedra basáltica oferece uma imagem negra, ao contrário dos tons acastanhados preponderantes na região.  Foi construído no início do século XIII no ponto estratégico anteriormente controlado pelos romanos, que ali erigiram uma fortificação por volta do ano 300. Os Otomanos prolongaram a vida do castelo, mantendo ali uma guarnição pelo menos desde o século XVI, e foi aqui que o famoso Lawrence da Arábia instalou o seu quartel-general durante o Inverno de 1917.

Qusayr Amra

Diz-se ser o mais bem preservado dos “castelos”, mantendo ainda vestígios dos frescos originais, alguns com temáticas surpreendentes, como a representação de monarcas estrangeiros, nomeadamente do rei visigodo,  do imperador bizantino, de um líder chinês e do sultão otomano.  Noutras representações podemos observar animais e diversos retratos humanos, o que é curioso porque nesta fase do Islão a criação de imagens de seres vivos seria proibida.

Qasr Harraneh

Em estado de conservação muito razoável, é um quebra-cabeças para os especialistas. Poderá ter sido um forte, um caravensarai (versão árabe das estalagens de estrada, destinadas a providenciar abrigo e abastecimentos aos viajantes e às caravanas comerciais) ou mesmo uma espécie de centro de reuniões para os governantes Umayad. Note-se que a sua planta parece ter sido directamente inspirada nos modelos de arquitectura militar romana existente na região. Existem inscrições em língua grega junto à entrada principal. Terá este edifício sido construído em redor de uma anterior presença bizantina? Sabe-se que o actual figurino se encontra ali desde o ano 711, precisamente o momento da invasão árabe da Península Ibérica.

Como Visitar

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Teoricamente, com um enorme esforço, poder-se-ia visitar alguns destes locais usando uma combinação de transportes públicos e boleias gratificadas, mas é uma escolha pouco realista. Assumindo que está baseado em Amman, o melhor é optar por uma tour ou, melhor ainda, por alugar um carro e fazer o circuito ao seu próprio ritmo.

Consegue-se chegar à maioria dos “castelos” com uma viatura ligeira, podendo-se visitar sucessivamente Hallabat, Azraq, Amra e Harraneh (ou inverter a ordem, se o visitante julgar mais conveniente). Com um esforço chega-se mesmo a Mushatta, que fica algo deslocado de um círculo imaginário envolvendo os quatro pontos referidos. Já Tuba e Burqu estão apenas ao alcance dos mais aventureiros, ou seja, de viaturas todo-o-terreno.

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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