Blog de Viagens – Rumbo.pt

UM BLOG RUMBO
Home > O que ver > Líbano: das árvores sagradas ao Mediterrâneo

O que ver

Líbano: das árvores sagradas ao Mediterrâneo

Líbano: das árvores sagradas ao Mediterrâneo
Novembro 10
10:00 2015

Com uma história recente atribulada e um futuro novamente ameaçado pela instabilidade que se vive na região, este é um dos mais interessantes países que se pode visitar na orla do Mediterrâneo e no Médio Oriente.

O Líbano é capaz de agradar a todo o tipo de viajantes. É na sua costa que encontramos parte das raízes da civilização europeia. Dos seus antigos portos marítimos de Tripoli, Biblos ou Tiro partiram os barcos dos Fenícios que dominaram durante séculos o comércio no Mediterrâneo. As suas águas quentes convidam à praia e, nos meses mais frios são várias as estâncias de desportos de inverno nas montanhas do interior. O Líbano foi presenteado ainda com belas grutas, majestosas árvores, altas montanhas e profundos vales, que vão fazer as delícias dos amantes da natureza.

Horsh Arz el-Rab, a floresta dos Cedros de Deus

Nenhuma árvore no mundo tem um currículo tão invejável como o cedro do Líbano. A sua madeira aromática e homogénea foi usada na construção de templos e embarcações, múmias e rituais religiosos.

Assim, a mais antiga mancha destas árvores existente no Líbano, a floresta dos cedros de Deus próxima de Bcharré, é local de passagem obrigatória.

Cedro do Líbano

Cedro do Líbano

A Bcharré não chega o pregão das mesquitas que dominam o país: a população é praticamente toda cristã. A rudez do terreno abrigou durante séculos uma comunidade de cristãos maronitas que se refugiou no quase impenetrável vale de Qadisha, o vale sagrado, que começa mais abaixo.

Uma sensação de isolamento do mundo invade-nos quando se inicia a descida. Agora há uma estrada até ao início do vale, mas indo a pé pode-se atalhar por um carreiro. Depois, só mesmo as pernas nos valem. Os mosteiros e ermidas sucedem-se intercalados com pequenas casas de pedra que contrastam com as luxuosas moradias que, nos primeiros metros ainda se conseguem vislumbrar lá em cima. Depois, o tempo pára e só os cânticos e orações quebram o silêncio na sombra dessas majestosas árvores.

Baalbek, a cidade dos Deuses

Robert Wood, viajante britânico que visitou o Baalbek no século XVIII escreveu: “Quando comparamos as ruínas com as de muitas cidades que visitámos na Itália, Grécia, Egipto e em muitas partes da Ásia, não podemos deixar de considerá-las como o mais ousado projeto jamais tentado pela arquitetura.”

Colunas do templo de Júpiter e templo de Baco em Baalbek

shutterstock_99367103

Aqui não custa imaginar como eram os grandes templos romanos. Baalbek é uma aula da história a céu aberto. Ao templo de Baco pouco mais falta que a cobertura e as estátuas nos nichos existentes nas paredes. A comprovar que a descrição de Wood não é tão descabida como possa parecer, restam seis das originais 54 colunas de pedra do templo de Júpiter, com quase 23 metros de altura cada uma delas. Estas colunas fazem o comum mortal sentir-se um anão em terra de gigantes.

Baalbek é hoje igualmente conhecida como bastião do Hezbollah, não deixando ainda assim de ser mais uma acolhedora cidade libanesa.

Beirute

Igreja de São Jorge e mesquita em Beirute

Desengane-se quem imagina Beirute como uma cidade onde as mulheres andam de burka, os homens de barbas grandes e a liberdade religiosa é uma miragem.

Diz-se que há mais silicone nas piscinas de Beirute do que nas de Miami. Quem tiver sono leve, escolha um quarto com bom isolamento acústico já que no terraço dos edifícios mais altos há discotecas com festas noite dentro, propagando decibéis por toda a cidade.

Beirute é uma cidade de contrastes. Facilmente se encontram marcas dos recentes conflitos paredes meias com modernos arranha-céus desenhados pelos grandes nomes da arquitetura mundial.

Marcas da guerra em Beirute

Marcas da guerra em Beirute

Mais incrível ainda é, lado a lado numa mesma rua, vermos uma igreja cristã e uma mesquita muçulmana, num país cujo nome nos faz normalmente pensar em intolerância e conflitos religiosos.

À noite, em redor da praça central, as pessoas juntam-se nas imensas esplanadas tomando a sua bebida enquanto algumas crianças brincam alegres. As ruas repletas de glamour, lojas de moda, grandes carros e mulheres bonitas, revelam a vontade que Beirute tem em reconquistar o título de “Paris do Médio Oriente”. Só as patrulhas de militares armados até aos dentes não nos deixam esquecer que não estamos na Europa.

O Líbano é um país para visitar já, antes que as vicissitudes da história que estão a tomar conta dos países vizinhos se abatam sobre as terras do Levante.

Interessado em visitar o Líbano? Procures voos baratos no site da Rumbo!

Etiquetas

Sobre o Autor

Samuel Santos

Samuel Santos

Em 2005 viajou até à Guiné com um grupo de escuteiros e, o contacto com aquele continente marcou-o de tal forma que no ano seguinte regressou, de carro. Decidiu começar a escrever o blog "Dobrar Fronteiras" (http://www.dobrarfronteiras.com/) com o intuito de inspirar e ajudar aqueles que lhe queiram seguir as pisadas. Acredita que viajar é para todos e sempre que pode, põe a mochila às costas e vai viajar.

0 Comentários

Ainda não existem comentários!

Não existem comentários neste momento, quer adicionar um?

Escrever Comentário

Escrever Comentário

Siga-nos no

Infografias - Infografias inspiradoras by Rumbo.
Dicas para Viajantes - Viaje informado com a Rumbo.

Siga-nos no Facebook