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Luang Prabang, uma pérola da antiga Indochina

Luang Prabang, uma pérola da antiga Indochina
Julho 21
08:59 2016

Instalada junto à confluência dos rios Mekong e Nam Khan, a 700 metros acima do nível no mar e envolta por belas montanhas, Luang Prabang foi designada como património mundial da Unesco em 1995 e é amplamente considerada como o centro cultural do Laos.

Rio Mekong

Como capital de Lan Xang, o primeiro reino do Laos, a cidade ganhou importância a partir de 1353 e manteve-a aproximadamente durante dois séculos, até que o rei Phothisarat, em 1545, decidiu mover a administração do reino para Vientiane. Luang Prabang tornou-se assim numa espécie de cidade-estado, contudo, militarmente fraca, pois dificilmente poderia defender-se dos estados vizinhos, tal como veio a acontecer com o famoso saque perpetuado pelos chineses em 1887. Estava pois aberta a porta para que a monarquia aceitasse a protecção dos franceses, facto que veio inevitavelmente mudar a arquitectura e influências que se fizeram sentir na cidade.

Hoje Luang Prabang é detentora de uma atmosfera exclusiva e um encanto muito próprio. Há quem diga que é uma das cidades asiáticas mais charmosas, o que tende a ser uma grande verdade. O centro histórico está repleto de mansões coloniais, hoje grande parte transformada em guesthouses e restaurantes, pastelarias onde podemos deliciar-nos com maravilhosos croissants ou padarias que vendem as tradicionais baguettes francesas. Luang Prabang é uma cidade maravilhosa mas onde está a sua verdadeira riqueza é no povo e no seu património cultural.

Por entre as inúmeras visitas e experiências que se podem vivenciar nesta bela cidade, deixo-vos com algumas que considero imperdíveis:

Colina Phu Si

Colina Phu Si

Elevação com aproximadamente 100 metros de altura, Phu Si ergue-se aos céus em pleno centro histórico de Luang Prabang. A elevação encontra-se bem no cento da antiga península da cidade, circundada à esquerda pelo mítico rio Mekong e à direita pelo rio Nam Khan.

Tratando-se sobretudo de um local religioso, onde existem vários templos budistas – entre outros, o Wat Tham Phou Si, a meio da subida, e o Wat Chom Si, já no topo –, a verdade é que o pôr-do-sol, visto do cume, é uma experiencia inolvidável.

Como existem vários percursos disponíveis, normalmente é utilizado um para subir e outro para descer. Um dos pontos de partida mais popular são as escadas que ficam em frente ao Museu do Palácio Real.

Em todas as entradas existe alguém a controlar os acessos e os turistas são convidados a fazer uma oferta de 10.000 Kips (menos que 1 EUR), mas depois não é cobrada qualquer outra taxa para visitar os templos.

Palácio Real

Palácio Real

Situado num amplo espaço bem ajardinado, perto de uma das principais avenidas da cidade – Thanon Sisavangvong – e no lado oposto à Colina Phu Si, o Palácio Real foi construído em 1904 para o rei Sisavang Vong e sua família, sobre as ruínas de um palácio muito mais antigo que ali existiu. A construção deu-se já depois do reino se ter tornado um protectorado francês, pelo que não é por acaso que existe uma mistura entre estilos arquitectónicos locais e ocidentais. Depois da queda da monarquia, com a revolução comunista de 1975, o edifício foi ocupado e aberto ao público, já como museu, em 1995.

A componente museologia não é das mais impressionantes que se pode visitar mas, ainda assim, merece alguma atenção. Por entre pinturas, bustos e vários artefactos, o visitante terá oportunidade de ficar a conhecer melhor a vida dos monarcas de Luang Prabang e as tradições que imperavam no reino.

Há ainda a destacar os apartamentos reais, já que estão bem preservados em relação aquilo que eram quando ocupados pelos monarcas. Para além dos quartos e de uma sala de jantar, merece atenção a sala de música onde estão expostos vários instrumentos típicos do Laos.

O bilhete custa 10.000 Kips (menos que 1 EUR) e não é autorizado fotografar no interior. O museu está aberto das 8h00 às 11h30 e das 13h30 às 16h00. Encerra à terça-feira.

Templo Wat Xieng Thong

Templo Wat Xieng Thong

Se há exemplo de quão bela pode ser a arquitectura budista, o templo Wat Xieng Thong será talvez um dos seus expoentes máximos. Construído em 1560, por ordem do rei Setthathirath, num local estratégico da cidade, já que está situado junto ao ponto onde o rio Nam Khan encontra o Mekong, o templo principal e edifícios adjacentes contêm verdadeiras obras-primas: uma elaborada árvore da vida, feita em mosaicos; paredes meticulosamente trabalhadas, cobertas a ouro; divindades budistas raras; ou uma carruagem funerária com 12 metros, também ela toda em talha dourada.

O local, que foi amplamente utilizado para a coroação de reis, passou por períodos menos radiosos e foi saqueado várias vezes. Em 1960 passou por um impressionante processo de recuperação, facto que trouxe novamente à luz do dia muita da sua sumptuosidade. Hoje continua a ser utilizado para a realização de eventos com alguma importância.

O templo está aberto todos os dias das 8h00 às 17h00.

Tak Bat (esmolas da manhã)

Tak Bat (esmolas da manhã)

Allie Caulfield (CC BY 2.0)

Todas as manhãs, logo ao nascer do sol, as pessoas alinham-se nas principais ruas de Luang Prabang a fim de oferecer aos monges uma espécie de esmola que consiste em arroz cozido, frutos, doces e outros alimentos. Os religiosos, empregando as suas imaculadas vestes cor de laranja, caminham descalços e em silêncio – os mais velhos sempre à frente –, recolhendo as oferendas nas chamadas taças das esmolas.

Esta cerimónia é uma parte importante do património cultural Luang Prabang e já ocorre desde que o budismo foi introduzido no país.

Com o crescente número de turistas que todos os anos chega a Luang Prabang, o Tak Bat tem vindo a tornar-se numa das principais atracções da cidade e, infelizmente, nem sempre é cumprindo o mínimo no que a regras diz respeito. Lembre-se que está num evento religioso e não a assistir a um espectáculo. Devem, por isso, ser seguidas algumas regras de etiqueta, nomeadamente no que diz respeito ao tipo de roupas utilizado: os ombros, peito e pernas devem estar cobertos, já que isso é um sinal de respeito. Deve ainda ser mantida alguma distância dos monges, a procissão não pode ser interrompida sob qualquer pretexto e fotografe comedidamente, sempre sem flash.

A procissão inicia-se todos os dias da rua principal do cento histórico, por volta das 6h00, encaminhando-se depois para ruas mais secundárias.

Mercado de comida de rua

Mercado de comida de rua

Inteiramente dedicado à comida de rua, este mercado está instalado num beco estreito, à direita da Rua Sisavangvong, pouco antes da rotunda onde está o ATM do banco Acleda.

Por entre fumos que esvoaçam sem direcção e cheiros que aceleram o apetite, as barracas dispõem-se junto às paredes que delimitam o beco, deixando um espaço exíguo para as pessoas se movimentarem. Os vendedores alinham grandes taças com massas, fritos, vegetais e espetadas com carnes variadas, umas facilmente reconhecíveis e outras nem tanto.

Alguns espaços dispõem do chamado menu vegetariano, onde é possível comer generosamente por 10.000 Kips (menos de 1 EUR). É certo que a comida é básica e por vezes meio oleosa, mas não é por isso que deixa de ser menos saborosa. Alguns espaços dispõem de mesas com bancos corridos e vendem, para além da comida, cerveja e refrigerantes.

As lojinhas começam a abrir às 17h00 e encerram quando deixa de haver comida, regra geral por volta das 21h00.

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Sobre o Autor

Agostinho Mendes

Agostinho Mendes

Assim que atingiu a maioridade, informou a família que queria viajar e conhecer o mundo, mesmo que a sua vontade não fosse aprovada. A paixão pela arte de andarilhar já o fez passar por mais de 50 países em vários continentes. Em viagem, procura experiências intensas que já o levaram a viver com nómadas na Mongólia, famílias mosuos na China ou em aldeias nos Himalaias. É fotógrafo (http://www.agostinhomendes.com) e faz trekking.

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