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O que ver

Lugares emblemáticos onde Portugal e Espanha dão as mãos: a Raia

Lugares emblemáticos onde Portugal e Espanha dão as mãos: a Raia
Junho 16
10:30 2015

Partilhamos a Península com os Espanhóis com os quais podemos dizer que, além de vizinhos, comungamos de laços de fraternidade. Somos companheiros de aventuras, cúmplices e parceiros. Portugal e Espanha estão unidos ao longo de 1.214 km de extensão, que é o que mede a fronteira entre os dois países. Esta, coloquialmente conhecida como A Raia (‘La Raya’ em Espanhol), leva a que exista um certo número de municípios com um encanto especial, lugares onde se partilham elementos históricos, culturais e económicos e que são denominam pelos nuestros hermanos de “rayanos” (fronteiriços).

No nosso blog queremos convidar-vos a conhecer alguns deles e a descobrir um contexto muito especial, no qual as cores da bandeira a que pertencem, é o que menos importa. Ao fim e ao cabo, somos todos daqui, da Península Ibérica. Porque em última análise, todos e cada um de nós não deixamos de ser outra coisa senão…cidadãos do mundo.

Tui (Pontevedra, Galiza). Começamos a norte e do lado espanhol. Estamos em terras Galegas, em Tui, Pontevedra. A cidade, geminada com a congénere Portuguesa, Valença do Minho, pode orgulhar-se de uma rica herança histórica: igrejas fortificadas, passadiços, ruas calcetadas (construídas com pedras de rio)… E uma maravilhosa catedral, considerada das mais belas da Galiza. Juntamente com a sua muralha, este conjunto é considerado de interesse histórico e artístico.

panoramica catedral de tui

Catedral de Tui, Pontevedra. Foto: Amio Cajander – Flickr CreativeCommons.

Caminha: Cenário de várias batalhas entre vizinhos, longe vão os tempos desses enfrentamentos entre Espanha e Portugal. Caminha, situada na foz do Rio Minho é hoje conhecida por ser uma vila de pescadores de barba rija e pelas praias de inegável qualidade. Vale a pena visitar, o Forte da Ínsua, sediado num ilhéu no meio do estuário do rio. Foi construído no século XV, para defender a entrada da cidade a partir do mar. Por estar inserida na região demarcada dos Vinhos Verdes é impensável não acompanhar um bom peixe com um néctar local…

Caminha.

Caminha. Foto: Vasco Riobom – Flickr CreativeCommons.

Miranda do Douro: O que é que não há para dizer sobre Miranda do Douro?! Descendente em linha directa da fronteira que lhe dá o apelido, esta pequena povoação parece ter sido conservada na era medieval pelas mesmas muralhas que a terão protegido vezes sem fim. Apesar de estar no extremo nordeste de Portugal, esta cidade carregada de história pode bater no peito pelas paisagens naturais que exigem testemunhas oculares, entre as quais os desfiladeiros que servem de parada do rio Douro, por deter um dos dois idiomas oficiais de Portugal – o Mirandês – , por poder fazer gala da dança medieval dos Pauliteiros de Miranda e, finalmente, por ser marca registada de uma espécie bovina – Mirandesa – que proporciona uma carne tenra e suculenta que pode ser apreciada da forma como os Mirandeses a projectaram para a ribalta: na Posta Mirandesa!

Miranda do Douro

Miranda do Douro. Foto: Eladio Anxo Fernández Manso – Flickr CreativeCommons.

Vilar Formoso: esta pequena povoação do centro de Portugal está habituada a servir de válvula nos fluxos de pessoas. Não fosse um secular ponto de passagem para quem quer entrar, ou sair, de Portugal por via terrestre, seria hoje um local muito mais cosmopolita. Palco de emoções fortes até à queda da ditadura de 1974 que empurrava os Portugueses em busca de melhores condições de vida. Numa altura que o transporte aéreo só era acessível para alguns e que as redes rodoviárias não permitiam muitas veleidades era de comboio que os emigrantes se faziam transportar até ao centro da Europa. Na estação de comboios local, ainda poderão ser encontrados vestígios da precipitação de lágrimas e dos vendavais de gente que por aí passaram desde os anos 50.

vilar formoso

Vilar Formoso. Foto: Francisco Vicente – Flickr CreativeCommons.

Bragança: Formosa e altiva. É assim que se apresenta uma das mais belas e mais ancestrais cidades do nordeste do nosso país, de sangue nobre e atmosfera hospitaleira. O seu cartão-de-visita, o castelo, construído no século XII. À sua volta, dentro dos limites das muralhas, a Cidadela. É impossível não se deixar encantar pela sua arquitectura medieval, e pelas suas ruas empedradas.

bragança

Bragança. Foto: Bernt Rostad – Flickr CreativeCommons.

Marvão (Alentejo). Situado no Alentejo, a poucos quilómetros de Portalegre e de Valência de Alcântara, município da Extremadura. Com apenas 600 habitantes, mereceria ostentar o título de Património da Humanidade pela Unesco – a seu tempo – pelo encanto do lugar. Ergue-se orgulhosamente no topo de uma colina, protegida por muralhas que asseguram a paz e tranquilidade que se respira aqui. Casas brancas e ruas empedradas envoltas num silêncio monumental apenas interrompido pela impertinência das badaladas do sino da igreja. Proporciona uma vista magnífica sobre toda a região.

Marvao

Marvao. Foto de Honza Soukup, Flickr CreativeCommons.

Alcántara (Cáceres, Extremadura). Na margem esquerda do rio Tejo, muito perto de Portugal, encontra-se aquela que foi originalmente chamada de Al Qantarat, ‘A Ponte’, nome atribuído pela ponte romana que existe nas imediações e que é a marca registrada de Alcântara. Eleva-se a 71 metros sobre o leito do rio, o que faz dela uma das mais altas do mundo. Este é apenas um dos atractivos da localidade, de ambiente medieval, onde há que: visitar o claustro de San Benito, a Igreja de San Pedro de Alcántara, passar sob o arco da Concepción, e, acima de tudo, contemplar a Plaza de Portugal, com a sua fonte ao centro, que mais parece retirada do cenário dum filme meticulosamente montado.

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Alcántara. Foto: Miguel González Paje – Flickr CreativeCommons.

Elvas (Portalegre, Alentejo). A 22 km de Badajoz. Elvas soube preservar o seu ambiente mais tradicional e conserva, quase intactos, os monumentos herdados do passado: muralhas medievais, a catedral, o castelo…O epicentro da vida quotidiana, a praça principal, Praça da República. Um aqueduto atravessa a antiga estrada nacional e é um dos mais espectaculares da península. Os Pacenses, como são conhecidos os vizinhos de Badajoz, são presença assídua na cidade, sobretudo, para comprar toalhas, lençóis e objectos de bronze no comércio tradicional. Imperdível? Comer no restaurante El Cristo, onde se pode deliciar com sumptuoso bacalhau dourado e marisco de excepcional qualidade, regado com bom vinho Português.

Elvas

Elvas. Foto de Jaime Pérez, Flickr CreativeCommons.

Oliva de la Frontera (Badajoz, Extremadura). Ideal para quem queira espairecer, esta povoação deixa-se envolver a sul pelo colo da fronteira com Portugal. A sua principal atracção para visitar é o santuário da Padroeira da “Virgen de Gracia”, e no plano cultural, a Semana Santa da Páscoa, umas das mais tradicionais e interessantes da “Dehesa de Extremadura”. A envolvente natural incomparável, a par da simpatia e hospitalidade das suas gentes são qualidades que tornam ainda mais apelativa a visita a Oliva de la Frontera.

oliva de la frontera

Oliva de la Frontera. Foto: Carquinyol – Flickr CreativeCommons.

Embora não estejam elencados todos os povoados fronteiriços, aqui ficam os nomes de outros municípios ou cidades “rayanas” a visitar: Alandroal, Borba, Campo Maior, Elvas, Juromenha, Monsanto, Monsaraz, Penha Garcia, Portalegre, Terena e Vila Viçosa, do lado português. Por Espanha, Trevejo, La Codosera, Cedillo, Badajoz e Alburquerque.

Foto destacada de Marta Jimenez, Flickr CreativeCommons.

© Artigo traduzido por  Miguel Albuquerque.

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Sobre o Autor

María Sanchez

María Sanchez

Viajera, que no turista; periodista y bloguera, que no redactora. Porque no es lo mismo ser que estar, SOY comunicadora por vocación. Licenciada en Periodismo, con amplia experiencia en medios de comunicación y redes sociales, mi gran pasión es descubrir Mundo. La mejor forma de recordar un viaje, contándolo. Puedes encontrarme en la blogosfera y en las redes sociales. Bon voyage!

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