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O que ver

Lviv, a Cidade Polaca da Ucrânia

Lviv, a Cidade Polaca da Ucrânia
Julho 22
09:10 2016

Lviv é uma das pérolas escondidas da Europa. Talvez pela sua posição geográfica, bem para Leste, na Ucrânia, mas a verdade é que raramente é mencionada e muitas pessoas nem sequer ouviram falar nesta cidade que é um dos pilares culturais do seu país.

Origens

Lviv é uma mal-amada. Muitos ucranianos consideram-na um enclave polaco no seu país, enquanto os polacos a consideram uma cidade estrangeira. E há quem a despreze pela influência  cultural alemã, fruto da integração no Império Austro-Húngaro onde permaneceu entre meados do século XVIII e o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918.

Veio depois o período entre os dois grandes conflitos do século XX, e logo a abrir a Segunda Guerra Mundial foi ocupada pelo Exército Soviético, para mudar de mãos, apenas dois anos depois. De novo uma ocupação germânica, agora com um enquadramento político diferente.

Terminada a guerra, a União Soviética integrou a cidade na sua República Socialista Soviética da Ucrânia, que a manteve após a implosão da URSS a que se seguiu a independência deste novo país.

Os Encantos da Cidade

Rynok Square in Lviv at night

Por Lviv caminha-se por horas a fio e há sempre algo de novo para ver, e será provavelmente nessa capacidade renovada de nos surpreender que reside o maior encanto da cidade.

Os amantes de arquitectura encontrarão aqui terreno fértil para muitas horas de deleite. Logo à chegada, se vindo de comboio, há que se atentar na magnífica estação ferroviária, construída em 1904 em estilo Art Nouveau. Depois, é explorar a cidade, observado o Teatro Municipal, a Ópera de Lviv, a Universidade, a multiplicidade da praça central e a sua catedral e o edifício do município.

A feira de livros usados é uma maravilha. Ali, para além dos alfarrábios, transaccionam-se velhas relíquias do período soviético e todo o tipo de elementos coleccionáveis, desde moedas e selos até postais ilustrados.

O grande cemitério de Lviv é como um museu de história, e, aliás, tem ingresso pago. Chama-se Lychakivsky Tsvyntar e um bom número de campas conta com mais de cem anos. É um espaço que os amantes da fotografia apreciarão, com imensos pormenores para captar.

Existe um museu etnográfico ao ar livre, onde se podem observar casas tradicionais e, se visitar durante o fim-de-semana, poderá divertir-se com os eventos e encenações que por ali têm lugar.

Gentes de Lviv

Apesar de chamar até si muitos turistas nacionais e dos países vizinhos, para nós, que vimos de longe, Lviv parece uma cidade virgem, onde o turismo de massas não chegou. É preciso algum treino para começar a distinguir os visitantes que chegam de outros pontos da Ucrânia, da Polónia e mesmo da Rússia. Seja como for, estrangeiros de partes distantes não são comuns e as gentes de Lviv adoram receber visitas exóticas. A simpatia é quase constante, muito genuína e é agradável andar-se pela cidade com tantos sorrisos.

Nas ruas há artistas que tocam para quem passa. Os cafés e restaurantes são bem económicos e a qualidade do serviço é notável. Mas também no aspecto humano Lviv está cheia de surpresas. De repente uma trupe de Hare Krishnas inicia um espectáculo de dança e música. A multidão encara-os com espanto e nos mais velhos desenham-se expressões de reprovação, de um mundo que não compreendem, que desde 1989 vem sacudindo as suas vidas, construídas sobre aquilo que pensavam ser pilares de estabilidade.

Uma Viagem no Tempo

Lviv

As ruas comuns, mesmo aquelas que não ostentam palácios ou igrejas históricas, são encantadoras, no seu estilo decadente mas não miserável, como que paradas no tempo, fazendo-nos recuar aos dias da União Soviética. É fácil deixar a imaginação fugir e sentirmo-nos num filme de James Bond dos anos 80. Não faltam os Lada e podemos vislumbrar mirabolantes perseguições levadas a cabo por agentes do KGB vestindo gabardinas de couro negro.

Seria um ambiente semelhante que cativou tantos norte-americanos em Praga após a queda do regime comunista. Era um mundo diferente, de certa forma exótico, cheio de dificuldades práticas mas também com um enorme charme. A cidade checa mudou, submergida pelo turismo de massas e pela inclusão no maravilhoso mundo do capitalismo ocidental, mas até aos dias de hoje Lviv mantém os traços que mais a Ocidente foram há muito apagados.

Com alguma sorte avistamos traços sólidos do passado comunista. Existe um monumento impressionante, ainda hoje mantido coberto de flores por uma legião de saudosistas que suspiram pelos tempos soviéticos.

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

1 Comentário

  1. Luís André
    Luís André Julho 27, 10:42

    Artigo bem escrito que nos dá uma lição de história e nos desperta o interesse por esta cidade.

    Responder a este comentário

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