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Memorial ao Holocausto de Berlim

Memorial ao Holocausto de Berlim
Janeiro 20
09:15 2017

No dia 20 de Janeiro de 1942 ter-se-á escrito um dos capítulos mais negros da história da humanidade. Junto às margens do Lago Wannsee, no sudoeste de Berlim, um conjunto de 15 oficiais da cúpula do regime nazi assinaram um documento a que chamaram de “a solução final”.

Estamos a falar de um documento que determinava, através de um sofisticado e engenhoso processo, a deportação e consequente extermínio de milhões de judeus (o holocausto), usando para o efeito vários campos de concentração, essencialmente instalados na Polónia ocupada, como os conhecidos Auschwitz ou Treblinka.

Chegada ao campo de concentração de Auschwitz (© Memorial ao Holocausto de Berlim)

Chegada ao campo de concentração de Auschwitz (© Memorial ao Holocausto de Berlim)

Embora a guerra já tenha terminado há mais de setenta anos, encerrando muitos ódios e efeitos colaterais, existem acontecimentos que não devem e não podem ser esquecidos. Há factos que devem ser lembrados, pois é a única foram de não voltarem a acontecer. O genocídio dos judeus, ou mais recentemente de tibetanos, cambojanos, ruandeses ou bósnios, não pode deixar a sociedade indiferente e fazer de conta que nada disto aconteceu.

É por isso que um pouco por todo o mundo foram erguidos memoriais ou monumentos que nos chamam a reflectir sobre a capacidade que os humanos têm em se autodestruir. O Memorial ao Holocausto de Berlim, instalado bem no centro da moderna Berlim, é sem sombra de dúvida um desses lugares. Construído para evocar o genocídio de milhões de judeus na Europa, trata-se se um espaço marcante, mas também dos mais controversos que foram instalados nos últimos anos no centro da cidade.

O interior, além de labiríntico, é composto por desníveis que podem chegar a mais de 3 metros.

O interior, além de labiríntico, é composto por desníveis que podem chegar a mais de 3 metros.

Desenhado pelo aclamado arquitecto americano Peter Eisenmann, um dos precursores da arquitectura desconstrutivista, o Memorial ao Holocausto de Berlim está implementado uma área de 4,7 hectares, entre a Potsdamer Platz e a Porta de Brandenburgo, e é constituído por um imenso aglomerado de blocos de betão, muito a fazer lembrar um cemitério com caixões distribuídos por diferentes níveis. Caminhar através deste enorme labirinto, junto a paredes de altura variável (podem chegar aos 3 metros), é por vezes desconcertante e surpreendente.

O impacto esmaga-nos perante a insignificância do nosso ser; a luz projecta-se num caleidoscópio que se transforma a cada esquina; tudo parece em movimento constante, quase como que uma metamorfose, a cada um dos nossos passos.

O acesso ao centro de interpretação, que se encontra no subsolo, faz-se através de uma escadaria que marca a fronteira entre o antes e do depois. Os minutos seguintes, talvez horas, gastas em deambulações e por entre suspiros, confrontam o visitante com uma verdade triste, tenebrosa, sempre crua e implacável: a loucura do homem pode chegar demasiado longe.

No Memorial ao Holocausto de Berlim existem 2711 blocos de betão, distribuídos por uma superfície de 4,7 hectares.

No Memorial ao Holocausto de Berlim existem 2711 blocos de betão, distribuídos por uma superfície de 4,7 hectares.

O espaço expositivo está bem organizado e dispõe de um considerável acervo com réplicas de documentos e imagens referentes ao período histórico em causa. As novas tecnologias têm também um papel importante na transmissão da mensagem e, sobretudo, da chocante verdade sobre o que significa a palavra “holocausto”.

Depois de regressar à superfície, talvez seja recomendável dispor de tempo; dispor de discernimento para voltar à companhia dos 2711 caixões de betão e procurar o significado de cada um deles; de não ter receio para se perder no labirinto emocional e procurar as respostas para as perguntas que vão estar a amargurar o seu pensamento. A verdade é que a dimensão e escala do espaço talvez transmitam agora outra magnitude sobre o terror. Afinal tudo isto aconteceu. Afinal tudo isto poderia não ter acontecido.

Locais de prisão, trabalhos forçados, fuzilamento, guetos ou campo de concentração.

Locais de prisão, trabalhos forçados, fuzilamento, guetos ou campo de concentração.

Memorial ao extermínio dos judeus da Europa

(Memorial ao Holocausto de Berlim)

Cora-Berliner-Straße 1

10117 Berlim

ALEMANHA

Tel.: +49 30 26 39 43 36

Se quer conhecer o Memorial do Holocausto na capital alemã, procure voos baratos para Berlim no site da Rumbo.

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Sobre o Autor

Agostinho Mendes

Agostinho Mendes

Assim que atingiu a maioridade, informou a família que queria viajar e conhecer o mundo, mesmo que a sua vontade não fosse aprovada. A paixão pela arte de andarilhar já o fez passar por mais de 50 países em vários continentes. Em viagem, procura experiências intensas que já o levaram a viver com nómadas na Mongólia, famílias mosuos na China ou em aldeias nos Himalaias. É fotógrafo (http://www.agostinhomendes.com) e faz trekking.

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