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O que ver

Christiania, a cidade livre que já não vive da utopia

Christiania, a cidade livre que já não vive da utopia
Setembro 20
08:58 2016

Christiania, ou cidade livre como é chamada por quem aqui vive, foi fundada há 45 anos numa base militar abandonada do bairro de Christianshavn, na cidade de Copenhaga, isto no auge do movimento flower power. Os responsáveis pela sua fundação tinham como principal objectivo desenvolver uma “sociedade alternativa livre, onde existisse uma valorização efectiva do amor pelo próximo e pela natureza”. E se a primeira evasão do espaço se dá em 1969, com algumas dezenas de dinamarqueses a ocuparem uma área superior a 340 mil m2, a verdadeira apropriação só acontece em 1971, logo após o jornal alternativo Hovedbladet publicar um artigo a incitar os seus leitores a ocupar a antiga base miliar e a “construir uma nova sociedade, baseada em valores de igualdade e entreajuda”

christiania-entrada-principal

Com o passar dos anos a relação entre o estado e os ocupantes de Christiania, que já viveu momentos verdadeiramente tensos, tem oscilado consoante a alternância politica: os governos conservadores têm procurado, através das mais engenhosas estratégias, acabar com o projecto alternativo, facto nunca foi conseguido; enquanto os governos de esquerda procuram apoiar a iniciativa, atribuindo-lhe méritos enquanto “prática social”.

Christiania está dividida em 12 áreas distintas e cada uma delas é integralmente administrada pelos seus moradores, sempre com decisões por consenso. Sim, leu bem! Aqui tudo é decidido por consenso e quando alguém tem dúvidas, cabe aos restantes argumentar e fazer mudar a opinião de quem está contra. E as regras para viver em comunidade também não muito claras: transportar armas, usar drogas pesadas, exercer violência, usar viaturas motorizadas, vestir roupa típica de gangs motards ou à prova de bala, vender fogo-de-artifício, usar foguetes de sinalização ou roubar, tudo isto é proibido!

christiania-casa-madeira

Como a construção está proibida dentro dos limites da antiga base militar, quem ambicione mudar de armas e bagagens para a “cidade livre”, precisa esperar que alguém parta em primeiro lugar. E depois segue-se um processo burocrático, já que há aprovações e entrevistas a fazer junto dos inquilinos. Resumindo: é uma vontade que no limite pode demorar anos.

Os espaços habitacionais, em muito casos exíguos, já que todo o espaço disponível está ocupado, em nada têm que ver com uma habitação normal: há casos em que a ambiência e decoração até são interessantes, mas outros há onde a excentricidade chegou a um limite difícil de imaginar. O exterior dos edifícios está normalmente pintado com grandes murais ou graffitis simples, facto que lhes confere um aspecto característico e condizente com o local onde estão integrados. Culturalmente, Christiania é também muito activa e apresenta um calendário preenchido com actividades teatrais, musicais e plásticas.

christiania-interior-edificio

Por aqui, Pusher street é sinónimo de drogas, melhor, supermercado onde tudo se vende relacionado com o consumo de drogas leves. E falo em drogas leves porque é mesmo disso que se trata. Substancias pesadas, como é o caso da heroína ou cocaína, há muito que foram banidas. Trata-se de um dos mandamentos obrigatórios por parte da comunidade e o não cumprimento dá direito a expulsão. Apesar da essência do comércio estar ligada essencialmente à venda de produtos ilícitos, tal como a grande parafernália de acessórios para os consumir, há também algumas barracas que se dedicam à venda de artesanato, comida básica e bebidas. Uma das coisas que o visitante vai notar logo quando chegar a Pusher street é a grande quantidade de sinalética que proíbe o uso da câmara fotográfica. Cumpra as regras e não tente, uma vez que seja, violá-las. Se o fizer é bem capaz de estar em maus lençóis, isto para não dizer pior. O local é controlado ao pormenor por vários vigias e, como há vários dealers a operar que não querem ser identificados pela polícia, já que não sabem qual vai ser o destino das fotografias, o assunto é levado muito a sério. Pense por isso duas vezes antes de fazer a primeira fotografia.

Visitas guiadas

Junto à entrada principal de Christiania, na rua Prinsessegade, entre o fim de Junho e o fim de Agosto, estão disponíveis visitas guiadas todos os dias, pelas 15h00, com uma duração aproximada de 90 minutos. De Setembro até o fim de Junho as visitas só se realizam ao fim de semana. O ponto de encontro é pouco depois do portal de madeira, instalado na entrada, e custa 40 DKK por pessoa. Os guias são experientes e vão seguramente contar-lhe muitos dos segredos guardados em Christiania.

christiania-rua

Como chegar?

Sendo a Dinamarca um país onde a bicicleta impera, não há dúvidas que será esta a melhor forma de chegar a Christiania e, já agora, de se mover no seu interior. O automóvel é totalmente desaconselhado, já que é interdita a sua circulação e o estacionamento no exterior pode ser complicado. Restam ainda os transportes públicos, existindo para o efeito duas alternativas:

  • Apanhe o metro até à estação de Christianshavn e caminhe até à entrada principal Christiania, já que são apenas 5 minutos. Para o fazer, tome a rua Torvegade e vire à esquerda na Prinsessegade. Caminhe sempre em frente e alguns quarteirões depois vai avistar uma igreja do seu lado esquerdo (Vor Frelsers Kirke). Isto significa que está na direcção certa. Continue em frente e contabilize cerca de 250 metros. A conhecida entrada para Christiania, que dá directamente para a Pusher Street, vai estar à sua direita.
  • Em alternativa pode apanhar o autocarro 9A que tem uma paragem mesmo junto à entrada da “cidade livre”. Parte de Vesterport a cada 8 minutos durante a maior parte do dia.

Nos dois casos apresentados o bilhete custa 24 DKK (2 zonas) e é válido por 1h.

Para chegar até à capital da Dinamarca, procure um dos voos baratos para Copenhaga no site da Rumbo!

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Sobre o Autor

Agostinho Mendes

Agostinho Mendes

Assim que atingiu a maioridade, informou a família que queria viajar e conhecer o mundo, mesmo que a sua vontade não fosse aprovada. A paixão pela arte de andarilhar já o fez passar por mais de 50 países em vários continentes. Em viagem, procura experiências intensas que já o levaram a viver com nómadas na Mongólia, famílias mosuos na China ou em aldeias nos Himalaias. É fotógrafo (http://www.agostinhomendes.com) e faz trekking.

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