Blog de Viagens – Rumbo.pt

UM BLOG RUMBO
 Últimas Notícias
Home > O que ver > O que ver no norte de Marrocos: Tânger, Tétouan e Chefchaouen

O que ver

O que ver no norte de Marrocos: Tânger, Tétouan e Chefchaouen

O que ver no norte de Marrocos: Tânger, Tétouan e Chefchaouen
Janeiro 27
09:15 2017

Chego de noite a Tânger, num voo de Lisboa, e nem vejo que o mar está mesmo em frente ao meu hotel. Sinto-lhe apenas o cheiro, da maresia, mas de manhã tudo será revelado.

É a frase que mais me dizem em Tânger, quando me perguntam que outras cidades marroquinas conheço: “Olhe que o norte de Marrocos não é nada parecido com o sul”. Abano a cabeça em concordância, acredito que sim, apesar de ter acabado de chegar, mas os dias seguintes iriam comprovar isso mesmo.

praia-tanger-marrocos

A viagem começa por Tânger, onde muita gente fala espanhol, tal é a proximidade com o continente europeu. Entre o Atlântico e o Mediterrâneo, esta cidade reúne caraterísticas inigualáveis. Frente ao hotel de Tânger está um cruzeiro enorme parado no porto. “Vamos apanhá-los na visita”, diz-nos o guia. Está a referir-se aos grandes grupos de turistas que passam apenas um dia na cidade, vindos de cruzeiros.

Na medina, apesar de ter o mesmo ambiente de souks que outras cidades marroquinas, é mais calmo e relaxado. Será do mar? Ao mesmo tempo vê-se que a cidade se modernizou e está apostada no turismo, alargando o porto e construindo lojas junto das praias. Os hotéis junto do mar surgiram todos nos últimos dez anos.

Em tempos, Tânger foi a cidade escolhida por artistas e escritores, para se inspirarem e para viverem. Era uma cidade de vanguarda, que combinava o exotismo de Marrocos e as influências europeias. O Café Paris e a Libraire des Colonnes eram o ponto de encontro e de convívio – por volta dos anos 50 – de muitos deles, como Óscar Wilde, Samuel Beckett, Truman Capote, Paul Morand, Jane e Paul Bowles e muitos outros.

Praça de Faro de Tânger

Praça de Faro de Tânger

Em Tânger, ao lado do Café de Paris, tem a Praça de Faro com os seus canhões – a cidade esteve em mãos portuguesas durante quase dois séculos e, por isso, é natural encontrar muita história em comum – e a sua vista sobre o porto. Se estiver bom tempo, dizem-me, consegue ver-se a costa espanhola.

De carro é a melhor forma para ir visitar a Gruta de Hércules (cavernas naturais), o Cabo Spartel, com o seu farol de 1965, e as praias com grandes areais ao longo de 40 quilómetros.

tetouan

Ruas de Tétouan

De Tânger partimos para Chefchaouen, mas decidimos parar para uma visita de algumas horas em Tétouan (Tetuão).  Fundada no século III a.C. esta cidade tem a sua medina classificada como Património Mundial da UNESCO, já que oferece uma perspetiva cultural de Marrocos. Não é muito grande, logo é possível visitá-la mesmo sem guia, não correndo o risco de se perder. A medina está dividida em três sectores: a que guarda alguma da história andaluza , sobretudo no arquitetura dos edifícios e na manutenção dos “casinos” – como locais de encontro da população e como existe na Andaluzia -, a parte do Bairro Judeu e a secção Berbere.

Apesar de ter souks normais, Tétouan é dos locais menos turísticos por onde vai passar. Ninguém o vai chatear para comprar algo, mas também estão mais fechados para o regatear com turistas. Há ainda uma praça mais tradicional onde vai encontrar, à venda, o tradicional traje dos agricultores desta região, que cobre bastante o corpo – por causa do calor – e que usam uns chapéus de palha com pompons muito coloridos.

Durante o passeio na medina, depois de passar a sala de cinema chamada Español, vai certamente passar em frente ao palácio real, mas recorde-se que não é permitido fotografar (pelo menos de perto) nenhum dos palácios reais em Marrocos.

Torrão à venda nas ruas de Tetouan

Torrão à venda nas ruas de Tetouan

Pelas ruas de Tétouan vai encontrar os vendedores dos frutos secos e de torrão, e ruas pintadas de azul e verde, que servem para afastar os mosquitos. E depois vai encontrar todas as lojas habituais: o costureiro, a peixaria, a queijarias, o talho e o padeiro a cuidar do forno comunitário aberto para toda a população. Cada um paga algo para cozinhar os seus bolos e biscoitos naquele forno que é de todos.

Passeie também, se ainda tiver tempo, na Avenida Mohamed V onde se realizam os principais eventos e festas e onde vai encontrar inúmeros cafés e lojas.

Arrancámos depois daqui até Chefchaouen, numa viagem que dura pouco mais de uma hora de carro. Como a estrada tem muito movimento poderá demorar mais se apanhar muitos camiões em trânsito.

chefchaouen-marrocos

Chefchaouen é daqueles locais que, quando vemos em fotografias, queremos ir imediatamente para lá. As suas ruas azuis são míticas, mas é o seu ambiente junto das montanhas que leva para lá cada vez mais turistas.

Está ali encaixada nas montanhas do Rif ocidental e com fontes de água potável – das nascentes que vêm das montanhas – distribuídas por vários locais.

Apesar de ter bastantes turistas, não é um local que desesperemos com muito movimento. Pelo contrário. Todos os que ficam por Chefchaouen querem relaxar e aproveitar este ambiente de montanha ao máximo. Um local perfeito para ficar uns dois ou três dias. Descansar no hotel ou riad, dar passeios, fazer caminhadas nas montanhas e voltar a descansar.

chefchaouen

As lojas aqui têm muita diversidade e com vestuário que pode apanhar os dias muito quentes de verão e os dias muito (mesmo muito) frios de inverno. Por isso, não estranhe se vir as tshirts ao lado de casacos e camisolas de lã. Há tapetes marroquinos estendidos pelas ruas, para venda, que contrastam com o azul das paredes que cobrem inúmeras ruas. Se as pinturas funcionam a 100% contra os mosquitos não sabemos, mas é um facto que não sentimos nem uma picada. Porque não fiquei a dormir em Chefchaouen, fui almoçar a um Riad muito pitoresco. Tão bonito que desejei ter lá ficado instalada: o Dar Echchauen, onde também se come muito bem. Aqui há inúmeros gatos pelas ruas – em Marrocos há sempre muitos gatos!! – e são mimados pelos turistas.

Pelas ruas de Chefchaouen vai encontrando as mesquitas, hammams, e vários pontos de pão seguidos. Na praça Outa Hammam, primeira praça pública da cidade, estão vários habitantes a conviver. Uns homens carregam o burro com garrafas vazias. É o único meio de transporte que cabe nas ruas estreitas e (algumas) muito inclinadas de Chefchaouen. Mas, tudo é feito sempre muito calmamente. Não há stress nas montanhas. E ainda bem! Havemos de lá voltar!

Etiquetas

Sobre o Autor

Susana Ribeiro

Susana Ribeiro

Jornalista, adora contar histórias e é uma apaixonada por viagens. Susana Ribeiro encontra sempre um pretexto para passear. Depois de escrever, para vários órgãos de informação, sobre turismo, gastronomia, vinhos e viagens… decidiu colocar todas as suas dicas no ViajeComigo.com. As suas sugestões são para incentivar outros a descobrirem novas paragens. Por isso, diz: “Há sempre um sítio novo para conhecer, nem que seja na sua própria cidade. Cada viagem e viajante são singulares. Conheça o mundo à sua maneira”.

0 Comentários

Ainda não existem comentários!

Não existem comentários neste momento, quer adicionar um?

Escrever Comentário

Escrever Comentário

Siga-nos no

Infografias - Infografias inspiradoras by Rumbo.
Dicas para Viajantes - Viaje informado com a Rumbo.

Siga-nos no Facebook