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O que ver

Pelas Terras de Lawrence da Arabia

Pelas Terras de Lawrence da Arabia
Dezembro 17
07:05 2015
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Corria o ano de 1962 quando a Columbia Pictures apresentou ao mundo a sua megaprodução “Lawrence of Arabia”. O filme contava a história de um carismático oficial britânico que no decorrer da Primeira Guerra Mundial fomentou e organizou o levantamento das tribos árabes contra o ocupante Otomano, adversário do Reino Unido nesse conflito.

A película tornou-se um enorme sucesso, ganhando sete Óscares e trazendo fama e imortalidade ao nome do já falecido tenente-coronel  T.E. Lawrence. Sucede que naqueles tempos o cinema levava as suas histórias mais a sério e os produtores não fizeram a coisa por menos e trouxeram a fita ao local da acção, filmando muitas das cenas onde de facto o verdadeiro Lawrence viveu as suas aventuras: os desertos da Jordânia.

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Wadi Rum

Uma das maravilhas da Jordânia, a par da cidade perdida de Petra, dos vestígios romanos e do Mar Morto é o deserto. Essa extensão sem fim de areia que marca o viajante, pela sua imensidão, pelo silêncio que a envolve, pelos céus nocturnos feitos de estrelas sem fim. E Wadi Rum será provavelmente o pedaço de deserto mais notável do país e cenário de notáveis cavalgadas de Lawrence e do seu companheiro árabe, o nobre Faisal. Na realidade, existem diversos pontos neste deserto que são assinalados no livro The Seven Pilars of Wisdom, escrito de memória pelo oficial britânico em 1926.

Para entrar na área protegida é necessário pagar um bilhete, que dá acesso ao centro de interpretação e a alguns percursos, modestos, que se podem fazer a pé a partir de lá. Mas a verdadeira magia só sucede quando se contracta um guia. Os serviços oferecidos pelos homens do deserto vêm em diversos sabores: desde caminhadas de diversos dias incluindo duras escaladas até passeios de camelo, passando pelos mais populares tours de jipe que incluem uma noite num acampamento berbere.

Esta última opção será a mais equilibrada, a mais apelativa para o viajante comum, desejoso de usufruir dos encantos de Wadi Rum mas forçado a gerir o seu orçamento e tempo. Ao chegar ao centro de interpretação o viajante é recebido pelo seu guia, conduzido à aldeia, eventualmente haverá um briefing de preparação da jornada e depois segue-se o deserto, onde durante um dia inteiro será conduzido a locais de cortar a respiração. Chega a noite e é tempo de recolher ao acampamento. Uma refeição tradicional esperará por si, saboreada em redor da fogueira, que com o cair do sol as temperaturas descem a pique. O céu é um quadro que nunca esquecerá, um infinito mar de estrelas colocadas sobre um pano negro.

Acampando em Wadi Rum (autor: lawmurray / Flickr Creative Commons)

Acampando em Wadi Rum (autor: lawmurray / Flickr Creative Commons)

Mas é só Deserto?

Nada disso. Aliás, o deserto, tal como o guardamos no nosso imaginário, feito de altas dunas douradas a perder de vista, é algo limitado nesta região. Sim, existem dunas e muita areia, mas Wadi Rum é marcado por formações rochosas que habitualmente não cabem no nosso conceito de deserto.

Contudo, para quem visita, tanto melhor. Assim poderá passar um dia bem variado. Existem arcos naturais pelos quais se pode caminhar. E canyons escavados nas rochas pelas águas geradas por chuvadas intensas e súbitas. Existem petróglifos gravados em paredes de pedra cuja história se perde nos tempos. Dunas de uma areia de cor tão intensa que por vezes pensamos estar a caminhar num enorme monte de colorau. Nos restos de uma casa que certamente será mostrada pelo guia poderá ter residido durante algum tempo o próprio Lawrence. Há nascentes secretas e até um velho templo nabateu – a mesma gente que erigiu Petra.

A jornada é geralmente interrompida para uma refeição frugal servida numa tenda, das diversas que se localizam junto aos principais pontos de interesse, e que funcionam como pontos de reabastecimento.

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Como Chegar?

A única forma verdadeiramente conveniente de chegar a Wadi Rum é de carro, e felizes do que alugarão uma viatura para explorar as maravilhas da Jordânia.

Quem estiver limitado aos transportes públicos deverá ter em mente que o melhor que poderá arranjar para quem vem de Amman é uma paragem junto ao cruzamento da grande via que une Aqaba (cenário de uma mítica carga da cavalaria árabe liderada por Lawrence, que captura este estratégico porto aos otomanos) à capital jordana, ainda a cerca de 34 km de Wadi Rum.  A partir dali a única solução para prosseguir será pedir boleia, o que não costuma ser complicado. Contudo, a partir de Aqaba existem alguns autocarros diários e, com alguma irregularidade, é possível mesmo viajar a partir de Petra.

Deserto de Wadi Rum

Deserto de Wadi Rum

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

2 Comentários

  1. Jorge Gradim Farinha
    Jorge Gradim Farinha Dezembro 18, 17:42

    Cada vez melhores e mais irresistíveis as suas crónicas. Parabéns!!!

    Responder a este comentário

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