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Reviver o Passado em Leipzig

Reviver o Passado em Leipzig
Junho 02
10:30 2015

Leipzig é uma cidade que fica no Leste da Alemanha, numa zona que antes da queda do Muro de Berlim  fazia parte da RDA (República Democrática da Alemanha). Na realidade foi em Leipzig que se iniciou a revolta contra o regime comunista que, sob apertado controle da União Soviética, governava aquele país criado na sequência da Segunda Guerra Mundial.

Uma Faísca de Revolta

Foi numa Segunda-feira de Outono que uma manifestação pacífica culminou na queda do Regime. Corria o mês de Outubro de 1989 e tinham-se passado apenas dez meses desde que o líder do Estado, Erich Honecker, tinha afirmado que o seu Regime duraria mais um século.

Em Leipzig organizava-se uma vigília. Setenta mil pessoas saíram para a rua, cada uma empunhando uma vela acesa, as suas vozes unidas num coro que entoava cânticos religiosos e que rezava. As autoridades não souberam ou não conseguiram impor a esperada violência sobre esta massa de cidadãos. Estavam abertas as portas para a abertura da democracia na RDA e para a posterior reunificação da Alemanha.

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Novo Rathaus de Leipzig

Onde Tudo Aconteceu

Quem visitar hoje Leipzig vai encontrar uma cidade com muita História para contar. Existem belas igrejas, bem decoradas passagens entre as avenidas principais, museus de qualidade, as casas de ilustres residentes, como Schumman ou Mendelssohn. Mas também poderá reviver aqueles dias de Outubro quando um povo decidido a libertar-se saiu para as ruas.

Há percursos, devidamente assinalados, que mostram ao visitante os locais-chave dos eventos desse mês de Outubro de 1989. Em cada um encontra-se um marco com um texto explicativo da relevância do ponto e com direcções sobre como encontrar a etapa seguinte do circuito.

Um dos mais importantes será o que se encontra junto à  Nikolaikirche, a igreja principal da cidade, onde se terá iniciado o ajuntamento de manifestantes pacíficos e onde uma força de 600 agentes da polícia de choque enviados para os dispersar simplesmente se juntou à população.

 

A Casa da Esquina Redonda

De entre todos os regimes ditatoriais de Esquerda que foram implementados na Europa de Leste após o final da Segunda Guerra Mundial, o da RDA terá sido porventura o mais opressivo e alienado. A actuação da sua polícia de Estado (ou polícia política, como se dizia dantes) seguiu a mesma linha. A sua penetração era de tal forma que chegou a ter 2 milhões de informadores, isto num país com cerca de 16 milhões de habitantes.

Em Leipzig a STASI estava estabelecida na famigerada Casa da Esquina Redonda, localizada no anel rodoviário que cerca a cidade antiga. Ali foi aberto em 1990 o museu Runde Ecke,  gerido pelo Comité de Cidadãos de Leipzig. Ocupando uma parte do piso térreo do edifício que foi outrora o quartel-general distrital da STASI, a exposição mostra ao visitante as salas que na realidade eram usadas pela temida polícia.

Não é um museu grande, ocupando um pequeno corredor com algumas salas. Mas é pleno de intensidade. Ali poderá o visitante ver uma rica colecção de artefactos relacionada com a actividade daquela polícia e com as suas vítimas. Algumas salas apresentam-se como reconstituições de ambientes originais: celas de detenção, câmara de interrogatórios, arquivo, secretaria. Outras albergam colecções específicas: símbolos e dísticos da corporação, equipamento de vigilância, documentos importantes.

O museu encontra-se aberto todos os dias das 10 às 6 e a entrada é livre. Poderá desejar pagar os 3 Eur pelo áudio-guia em inglês, uma vez que todas as legendas da exposição se encontram apenas em alemão.

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Augustusplatz

Um Museu de Outros Tempos

Na principal rua pedestre de Leipzig, o visitante encontrará o Zeitgeschichtliches Forum Leipzig. E o que encontra por detrás deste complicado nome? Um fabuloso museu sobre a vida naqueles outros tempos, que parecem agora já tão distantes. Dividido entre serviços de apoio, exposições temporárias e exibição permanente, este museu oferece uma perspectiva de elevado interesse sobre como se vivia na RDA.

Piso após piso, sala após sala, quem aqui vem não pode deixar de ficar surpreendido com as muitas surpresas que o aguardam. Toda a exibição foi preparada e é mantida com elevado rigor museológico, sempre marcada por uma enorme variedade de conceitos e de subtemas.

As exposições de fotografia são excelentes. Assim como o são as salas recheadas de objectos trazidos das décadas de 50, 60, 70, 80. É todo um estilo de vida que ali é representado, captado nas mais diversas vertentes. Estão presentes os traços do Estado opressivo, com uma carrinha de vigilância da STASI aberta ao público, entre muitos outros objectos. Mas também peças inocentes, como a recriação do equipamento usado por um campista na RDA pela década de 70.

Encontra-se ali exposta toda a parafernália de propaganda do Regime, mobiliário que recria salas e quartos das pessoas comuns,  embalagens de produtos usados na vida quotidiana. Em suma, é como se ali se tivesse aberto uma caixa de memórias de um grupo de pessoas criadas e crescidas sob o antigo regime da Alemanha Democrática.

A entrada no Zeitgeschichtliches Forum Leipzig é gratuita.

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Völkerschlachtdenkmal2202

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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