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Santa Trindade: Uma Igreja no topo do Mundo

Santa Trindade: Uma Igreja no topo do Mundo
Julho 25
08:44 2016

É conhecida na língua local como Tsminda Sameda e localiza-se nas montanhas da Geórgia, lá no norte, na parte mais remota do país. A 2.200 metros de altitude já se encontra bem elevada, mas mesmo assim encontra-se rodeada de montanhas ainda mais altas. De lá tem-se uma visão única. Enquanto as impressionantes paredes rochosas abraçam o viajante a aldeia de Stepantsminda observa-se lá em baixo, muito pequenina, vista de junto da igreja.

Era uma vez…

Foi no século XIX que o edifício original do templo ali foi erigido. Dá que pensar. Que vida se teria ali, onde ainda hoje se sente o fim do mundo, há setecentos anos atrás…?

Mas a igreja foi construída e a aldeia cresceu. No século XVIII o escritor georgiano Vakhushti de Kartli assinalou que em épocas de ameaça para o reino as relíquias nacionais eram transportadas da capital de então – Mtskheta – e depositadas na segurança relativa desta remota igreja. A própria Cruz de Santa Nino (sim, em georgiano Nino é um nome feminino) chegou a ser trazida. Trata-se do símbolo supremo da Igreja Ortodoxa Georgiana e data do século IV.

Após a Revolução Soviética de 1917 a prática religiosa foi proibida mas a igreja sobreviveu e continuou a atrair visitantes.

Em 2008 os invasores russos passaram por ali, antes de retirarem para as novas fronteiras que retiraram à Geórgia os territórios da Abkhazia e Ossétia do Sul. O actual posto de controlo fronteiriço encontra-se a poucos quilómetros de Stepantsminda e pode ser visitado. O percurso até lá é surpreendentemente belo mas a presença de estrangeiros pode enervar as autoridades no local.

O Cenário

tsminda sameda, igreja, santa trinidade

(fonte: wikimedia commons / CC)

Quem se aproxima de viatura todo o terreno vê-a de repente.  Ao dobrar de uma derradeira curva, depois de uma ascensão louca, chega-se ao planalto e a igreja da Santa Trindade avista-se, a uns 400 metros de distância.

O melhor é pedir ao condutor para nos deixar mesmo ali e caminhar até ao templo, erigido à beira do declive. Tira-se logo uma das fotografias clássicas do local, com uma misteriosa cruz de pedra em primeiro plano, a igreja lá atrás e uma enorme parede montanhosa num terceiro plano, já do lado de lá do vale que dali não se vê ainda.

Na época certa todo o planalto estará coberto por um tapete de relva viçosa. E cavalos semi-selvagens vão pastando calmamente.

O santuário mantém-se aberto, apesar da localização remota. Pode ser visitado por dentro, apesar de não ser especialmente interessante. Mas continua a atrair peregrinos locais, que muitas vezes caminham desde a aldeia, usando um trilho íngreme e que exige uma boa forma física aos candidatos a esta subida mais directa mas também mais exigente.

Junto à igreja espreitamos o vale. A aldeia, onde ainda agora estávamos, é agora feita de minúsculos pontos. Tomamos uma última golfada daquele ar frio. Em breve será tempo de descer.

Na Região

A aldeia de Stepantsminda não tem nada de especial. Para além de oferecer um cenário rural genuíno impregnado de uma cultura exótica. Apesar da ausência de pontos turísticos evidentes passar um par de dias aqui é uma experiência inolvidável.

Nas imediações há Sioni, uma outra povoação, com uma igreja que poderá visitar. Ali perto existem diversas quedas de água, sobretudo em Gveleti e em Arsha-Pansheti. Não é de espantar, considerando que este vale se encontra rodeado de montanhas que no Inverno acumular a água que depois soltam, enchendo de vida inúmeros riachos de cursos rápidos.

A natureza é bela, as gentes são generosas, os preços são baixos e a região não foi ainda descoberta pelo turismo de massas. Que mais se pode desejar…?

Aspectos Práticos

tsminda sameda, igreja, santa trinidade

Da capital, Tiblissi, até Stepantsminda, são menos de 100 km numa linha recta. Mas a jornada poderá levar um dia inteiro. As estradas estão em péssimas condições, grande parte do percurso é efectuado em montanha e é frequente a existência de rebanhos em trânsito utilizando a rodovia. Existem ligações efectuadas  por carrinhas de passageiros (partidas de hora a hora da estação de Didube – 10 GEL) e a viagem será sempre aventurosa e cheia de emoções e paisagens deslumbrantes.

Uma vez em Stepantsminda o visitante será normalmente abordado por pessoais locais que oferecerão estadia e transporte até à igreja. O melhor será negociar desde logo o alojamento. Será bom se a alimentação estiver incluída, porque não abundam por ali restaurantes e em contrapartida a comida caseira será uma agradável surpresa, confeccionada com produtos produzidos na comunidade.

Quanto ao transporte, poderá optar por subir a pé, se se sentir em boa forma. Senão, o anfitrião certamente poderá levá-lo no seu jipe. Naquela região quase todas as viaturas são todo-o-terreno, especialmente velhos Ladas soviéticos.

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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