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O que ver

Sarajevo, Encontro de Culturas

Sarajevo, Encontro de Culturas
Agosto 15
09:44 2016

Diz-se que toda a zona dos Balcãs é uma região de fractura. Os resultados estão à vista: iniciou-se aqui, em Sarajevo, a Primeira Guerra Mundial, e foi também nestas terras que a Europa viu um dos seus últimos conflitos armados. Mas de todas as cidades destas paragens, em nenhuma é tão visível esta convergência de culturas e de modos de vida como na capital da Bósnia-Herzegovina.

Um Pouco do Passado

Nestas coisas é complicado apontar um momento em que tudo se define. Mas no caso poderá talvez escolher-se a vitória otomana e a ocupação destas terras como o factor decisivo para que os Balcãs do último século e meio se tenham revelado tão explosivos.

Quando os turcos chegaram, iniciaram-se as primeiras conversões ao Islão, e os que se mantiveram cristãos tornaram-se cidadãos de segunda classe. Criou-se então um triângulo cujas fricções se tornaram evidentes nos anos 90, quando a ex-Jugoslávia se desintegrou numa sequência de guerras entre as diferentes comunidades: croatas, influenciados pelo passado imperial da Áustria, católicos; sérvios, ortodoxos, dominados durante séculos pelos otomanos e espiritualmente próximos da Rússia; e bosniaks, maioritariamente muçulmanos, convertidos de longa data.

E foram estes três grupos que fizeram de Sarajevo uma cidade multicultural, com uma aparente harmonia entre as comunidades… até que tudo desabou, em 1992.

Os sérvios bósnios, apoiados pelo ainda exército jugoslavo, controlado pela Sérvia, cercaram a cidade e iniciaram um bombardeamento que durou três anos. Quando os acordos de Daytona puseram fim a esta guerra, Sarajevo encontrava-se dividida em duas partes. Como hoje.

Cidade velha de Sarajevo

Zona velha da cidade de Sarajevo

Um Encontro de Mundos

Mas se existe actualmente uma clara divisão entre a cidade sérvia, mais reduzida, confinada a alguns dos bairros da capital, e a maioria, muçulmana, os traços de uma convivência pacífica encontram-se visíveis perante o visitante.

Se o viajante caminhar pela rua Ferhadija, a principal artéria pedestre da cidade, chegará a um ponto onde de forma bem visível, no chão, se encontra uma marca que indica: “Sarajevo, Encontro de Culturas”. Dali, virando-se para Ocidente, verá uma rua como se avistam em Viena ou em Praga, com a característica arquitectura austríaca do século XIX. Mas se rodar para Oriente, poderá pensar por um instante que se encontra na Turquia. Avistam-se casas de chá, minaretes, um fervilhante comércio de bazar.

Para acentuar ainda mais esta mistura cultural, num raio de dezenas de metros encontraremos a principal igreja católica, a maior igreja ortodoxa, a sinagoga central e a mais importante mesquita da cidade.

Visitar Sarajevo é mesmo tocar dois mundos em simultâneo. O visitante decidirá sobre como dividir o seu tempo entre eles.

Cemitério nos arredores de Sarajevo

Cemitério nos arredores de Sarajevo

Maravilhas de Sarajevo

É difícil sintetizar em apenas algumas linhas tudo o que Sarajevo tem para oferecer ao turista. É de facto uma cidade única, precisamente pelo cruzamento cultural, melhor ainda, civilizacional, que ali existe. Talvez a zona oriental seja mais interessante, pelo seu exotismo. O bairro de Bascarsija é neste contexto o mais significativo. Um labirinto de vielas que transportam o visitante para o misterioso Oriente. Ideal para saborear o famoso café turco ou uma chávena de chá.

O melhor é vaguear pelas ruas, explorando o mercado, entrando numa mesquita ao acaso, e, se houver tempo e energia, subir pelas colinas que rodeiam Sarajevo. Encontram-se aqui traços de um estilo de vida mais próximo do meio rural do que de uma metrópole. Há uma calmaria que impressiona, e alguns dos gestos diários dos habitantes repetem-se há séculos. Por fim, do topo, avista-se toda a cidade, o rio que a divide, as muitas pontas que unem margens.

Centro Histórico de Sarajevo

Centro Histórico de Sarajevo

Avistar a História

A História não está presente apenas nos edifícios clássicos, como a magnifica biblioteca nacional. Encontra-se nos locais onde aconteceu. Na esquina onde o anarquista Princip Gavrilo assassinou o arquiduque austríaco Franz Ferdinand, detonando a série de acontecimentos que em poucos dias conduziu à Primeira Guerra Mundial.

Mais à frente, para Ocidente, a ponte onde caíram as primeiras vítimas da guerra civil, duas jovens abatidas por atiradores sérvios colocados em casas próximas. De resto a recente guerra está presente a cada esquina. Existem marcas evidentes, e, mesmo nas altas torres residenciais, avistam-se os segmentos de tijolo colocados pelos residentes para reparar os estragos causados pelos bombardeamentos.

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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