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Segredos de Praga: A Igreja de São Miguel

Segredos de Praga: A Igreja de São Miguel
Maio 07
12:00 2015

Quem vai a Praga já sabe que será abraçado por uma beleza sem fim. O centro de Praga é um imenso museu de história e arquitectura sobre o qual se escreveram e se escreverão milhares de livros. Seriam necessários anos para que uma pessoa pudesse por fim dizer que já viu tudo o que há para ver naquela cidade.
Uma presença constante para o visitante será sempre a colina de Petrin, que se ergue do lado ocidental, logo a seguir à margem do rio Vltava. No seu topo, uma espécie de torre Eiffel em miniatura. E pelas encostas, muitos trilhos, muita beleza natural e grandes vistas sobre Praga.

Uma igreja misteriosa

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Igreja de São Miguel

Do que muitos não se aperceberão é da pequena igreja ortodoxa que se esconde sob as copas das árvores. Na realidade, tecnicamente, já não se encontra na colina de Petrin, tal como os locais a conhecem, mas sim nos jardins Kinský – criados a partir de 1825 pelo conde Rudolf Kinský, que ocupam o extremo sul da colina.
Quem não sabe da sua existência só por um grande acaso dará com ela. E em tal ocasião um visitante não poderá deixar de se sentir surpreendido com aquela aparição. O que faz ali uma igreja feita de madeira, com ar de quem já muito viu, e ainda por cima ortodoxa, num país onde a religiosidade não é elevada e que quando existe é dominada pela esfera católica? É uma boa pergunta…

Um Pouco de História

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A igreja de São Miguel foi construída, imagine-se, em meados do século XVII em Velké Loučky, uma terreola que fica na actual Ucrânia. Em 1793 foi desmontada e vendida a uma aldeia mais abastada, onde ficou até 1929. Foi então, pela segunda vez na sua vida, desmantelada e preparada para uma viagem, desafiando a natureza do termo “imóvel”. Porquê em 1929? Porque se comemorava então o décimo aniversário da integração da sua região de origem na Checoslováquia. Esta é de facto uma igreja que ao longo da sua vida se tem revelado muito móvel.
Foi após a Primeira Guerra Mundial, ou seja, em 1918, que a então Checoslováquia, uma união entre a República Checa e a Eslováquia, se tornou independente pela primeira vez. Era a chamada Primeira República, que durou até à anexação pela Alemanha Nazi em 1938. Foram tempos prósperos, com um enorme boom económico e cultural. Ali perto, no palácio Kinský, foi montado o Museu de Etnografia, e foi para integrar a exposição exterior desse museu que a Igreja de São Miguel foi, por assim dizer, importada.
É um pequeno edifício. Tem apenas 14 metros de comprimento e 8 metros de largura, com três torres que se erguem a 17 metros acima do solo.  A mais alta marca uma área especial no interior da nave, aquela que estaria reservada às mulheres. No seu interior – que se pode espreitar mesmo quando a igreja está fechada – há um predomínio de três cores: branco, verde e vermelho. Isto é uma escolha cromática comum nos templos ortodoxos e tem um significado, representando as três virtudes teológicas essenciais, respectivamente a fé, a esperança e o amor.

O Presente

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Deixada ao abandono durante décadas, aguentou estoicamente as invernias e as chuvadas de Outono. Com a queda do regime comunista e a abertura da cidade ao turismo, ganhou uma nova vida. Desde 2008 passou a ser celebrada missa na igreja, em checo e em romeno.
De resto, um passeio pela colina e pelos jardins Kinský é aconselhado. Há recantos românticos, pequenos lagos adornados com estatuária, cascatas artificiais e vida local para ser sentida: o jovem par de namorados que troca beijos num banco de jardim, o artista de expressão sonhadora que esboça um desenho, a avó babada que leva o neto a passear, a jovem que brinca com o seu cão no relvado.
Porque não é fácil fornecer indicações precisas sobre como encontrar esta pérola perdida, as coordenadas poderão ajudar: N 50° 4.709 E 14° 23.915′.

Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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