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O que ver

Sigiriya, uma das antigas capitais do reino do Ceilão

Sigiriya, uma das antigas capitais do reino do Ceilão
Junho 08
08:45 2016

O Sri Lanka, chamado de Ceilão até 1972, é um país que tem vindo progressivamente a despoletar de anos de conflito e guerra civil. Durante anos o turismo foi praticamente inexistente e poucos eram os que se aventuravam a conhecer as deslumbrantes paisagens que, no longínquo ano de 1505, D. Lourenço de Almeida terá encontrado quando chegou pela primeira vez à mítica ilha do rei Rawana.

Grande rochedo de Sigiriya

Grande rochedo de Sigiriya

Nos dias que correm, felizmente, o paradigma é bem diferente e o número de visitantes que chegam ao Sri Lanka é crescente. É por entre florestas repletas de elefantes, montanhas onde se encontram algumas das mais prodigiosas plantações chás do mundo, cascatas de águas límpidas, praias paradisíacas ou monumentos seculares, que os viajantes se deixam contagiar por experiências de vida.

Do ponto de vista histórico, o Sri Lanka é particularmente conhecido pelas suas antigas capitais, cidades que chegaram aos dias de hoje sem o esplendor de outros tempos, já que muitas das estruturas eram construídas em madeira mas, ainda assim, em excelentes condições de conservação, facto que oferece uma ideia de conjunto sobre a sua importância no passado. Uma dessas cidades histórias é Sigiriya, a famosa fortaleza de rocha que só por si quase valeria uma visita ao país.

Parte do percurso que nos leva ao topo é feito através de passadiços metálicos

Parte do percurso que nos leva ao topo é feito através de passadiços metálicos

Sigiriya, antiga capital do reino, é uma fortaleza‐palácio construída pelo rei Kashyapa I, no século V d.C., sobre um impressionante maciço rochoso que se eleva a 370 metros de altitude. Kashyapa I foi o segundo monarca da dinastia Mauryan e governou o reino entre os anos 473 e 495, depois de derrubar o seu pai, o rei Dhatusena, e usurpar o lugar do seu irmão, Moggallana, o herdeiro legítimo do trono que se colocou em fuga para o sul da Índia. A escolha de Sigiriya para capital e residência oficial do monarca, em substituição de Anuradhapura, a cidade mais importante do reino até então, deu-se essencialmente por dois factores: o descrédito generalizado perante a população e o medo de um ataque do seu irmão que havia jurado vingança. O grande rochedo, para além da sua posição privilegiada do ponto de vista estratégico, foi visto por Kashyapa como uma vantagem, no caso natural, para impedir as invasões dos inimigos.

Do antigo complexo conservam-se ainda um abrangente conjunto de jardins geométricos, fontes, algumas piscinas, estruturas defensivas, belos frescos com ninfas seminuas e ruínas de edifícios dos mais variados tipos. Já na zona mais alta da fortaleza, que estava essencialmente destinada ao monarca – de onde se obtém uma vista sublime sobre os vales e selvas da região –, podem ser visitadas as ruínas do grande palácio real, o espaço onde estava instalado o trono, parte de uma grande piscina e vários jardins. O grande acesso a esta área foi originariamente mandado construir em forma de um leão agachado, com a entrada a ser feita através da boca do felino. Da formação original da figura já pouco resta, subsistindo apenas as imponentes patas gigantes, pintadas e esculpidas sobre enormes pedras, que continuam a ladear o acesso utilizado pelos visitantes. Não menos surpreendente é o sistema hidráulico, constituído por cisternas e reservatórios de várias dimensões, que chegou aos nossos dias praticamente intacto e continua a funcionar através de um sistema de pressão criado pela gravidade. Tal como no passado, é através deste engenhoso sistema que continua hoje a brotar água de várias fontes.

patas do leão agachado

Durante as duas décadas do seu reinado, Kashyapa confirmou que as suas teorias estratégicas estavam certas, já que se manteve a salvo de ataques e da ira da população, mas o seu principal receio também se verificou: Moggallana voltou ao país acompanhado por um poderoso exército, matou o seu irmão, e pode finalmente reinar o Ceilão, novamente desde Anuradhapura. A capital e o palácio real foram por isso abandonados e Sigiriya deu lugar a um mosteiro budista, que se manteve em funcionamento até meados do século XIV. Ao longo dos séculos o complexo monástico foi sendo progressivamente abandonado, até que ficou deserto e lentamente consumido pelas densas florestas que o envolviam. Sigiriya acabou por se tornar num local sombrio e de mau presságio. Diz-se que durante séculos nenhum ser humano voltou a subir ao seu cume. Só depois da anexação do Ceilão ao reino britânico é que o lugar terá finalmente sido explorado, no caso por Jonathan Forbes, em 1831.

Hoje o local é Património Mundial da UNESCO e reúne vários percursos que nos levam a vencer os 370m de altura, alguns dos quais através de estreitos passadiços metálicos agarrados às paredes do rochedo. A visita impressiona e não são poucas as vezes em que nos damos a pensar sobre os tempos em que Sigiriya fervilhava de vida, sumptuosidade e poder. É uma visita que não deixará ninguém indiferente.

Frescos com ninfas seminuas

Frescos com ninfas seminuas

Como chegar

Sigiriya está localizada a cerca de 170 quilómetros a Noroeste de Colombo e a 10 km da estrada A6, via que liga as localidades de Ambepussa e Trincomale. A cidade mais próxima do complexo é a também conhecida Dambulla, localidade de onde poderá amanhar um autocarro caso a sua opção recaia pela utilização dos transportes públicos. O autocarro circula a cada 30 minutos, com início às 07h00 e demora aproximadamente 40 minutos a chegar ao destino.

Onde ficar

Para além da oferta disponível na cidade de Dambulla, que é muito diversificada em termos de qualidade e preço, existem várias unidades de alojamento nas imediações de Sigiriya, algumas das quais a uma distância que lhe permite chegar ao complexo pelo seu próprio pé. Para pesquisar hotéis e fazer a sua reserva, poderá recorrer ao site da Rumbo.

Outras informações

A duração da visita depende obviamente de pessoa para pessoa, mas conte com pelo menos 2 horas para chegar ao topo do rochedo de Sigiriya. Durante as épocas quentes a temperatura que se faz sentir pode ser muito elevada, pelo que é recomendável que opte pela visita durante o período da manhã. Leve consigo uma quantidade generosa de água, um chapéu e protector solar.

Horário de funcionamento: das 7h00 às 17h30, todos os dias da semana

Preços: 30 USD (aproximadamente 26 EUR)

Telefone: +94 112 426 900

Site oficial: http://www.sigiriyatourism.com/

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Sobre o Autor

Agostinho Mendes

Agostinho Mendes

Assim que atingiu a maioridade, informou a família que queria viajar e conhecer o mundo, mesmo que a sua vontade não fosse aprovada. A paixão pela arte de andarilhar já o fez passar por mais de 50 países em vários continentes. Em viagem, procura experiências intensas que já o levaram a viver com nómadas na Mongólia, famílias mosuos na China ou em aldeias nos Himalaias. É fotógrafo (http://www.agostinhomendes.com) e faz trekking.

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