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Tailândia: Um Mercado com Comboio

Tailândia: Um Mercado com Comboio
Abril 25
08:44 2016

Muitos dos leitores já terão ouvido falar ou mesmo visto imagens deste mercado muito especial. O local chama-se Maeklong, um nome pouco propício a ficar no ouvido, mas o que lá se passa é inesquecível. É ali que se situa um dos mercados mais famosos do Sudeste Asiático, e isto porque uma mão cheia de vezes por dia é literalmente atravessado por um comboio.

Em Direcção a Maeklong

thai food buffet at street

Numa linha recta Maeklong localiza-se a cerca de setenta quilómetros de Banguecoque. Mas chegar até lá não é muito simples. Existem min-vans que fazem o trajecto de forma directa e rápida mas encontrá-las na imensa capital tailandesa é um desafio que não aconselhamos.

Melhor será tomar o metro BTS e sair em Wangwan Yai. Depois é caminhar cerca de vinte minutos até encontrar a pequena estação ferroviária de Wong Wian Yai. Para este passo é recomendado um cuidado estudo do mapa e mesmo assim poderá ser necessário perguntar a alguém pelo caminho se a direcção tomada está correcta.

Uma vez encontrada a estação há que tomar o comboio para Mahachai, onde se cruza o rio num barco em direcção a Samut Sakhon. Depois, novo comboio, desta vez até ao nosso destino do dia: Maeklong.

Poderá parecer uma viagem complicada, e de certa forma é. O maior problema será o reduzido número de comboios e os horários que mudam com frequência. Mas o trajecto até ao mercado é interessante e enriquecerá qualquer viagem pela Tailândia. O primeiro percurso oferece uma perspectiva dos subúrbios da grande metrópolis, até à lenta integração na cintura natural, muito verde, que a envolve. Depois, Mahachai, onde passaremos através de um mercado com muitos produtos do mar e onde ainda se podem ver elefantes utilizados como animais de trabalho.

A travessia de ferry é igualmente pitoresca, podendo-se observar a faina pesqueira por aquelas paragens, com embarcações bem diferentes das nossas. E, por fim, o último trajecto, através da ruralidade tailandesa, num pequeno comboio muito lento, onde há tempo para se ver tudo muito bem.

A Chegada

O pessoal do comboio, à boa maneira tailandesa, fará tudo para proporcionar ao viajante a melhor experiência. Eles sabem ao que vamos. E não fique surpreendido se à aproximação do mercado for convidado pelo maquinista para a sua cabine ou pelo revisor para a cabine vaga da retaguarda da composição. Eles sabem que aqueles são os melhores postos para obter grandes imagens daquele mercado. Se não tiver essa sorte, o melhor será manter uma porta aberta e sentar-se nos degraus.

Talat Rom Hoop

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Este estranho nome é a denominação popular para o mercado de Maeklong. Significa algo como “mercado dos toldos a fechar” e refere-se ao bizarro movimento que se verifica à chegada e á partida do comboio.

A passagem da composição faz-se anunciar pela forte buzina da locomotiva. Ao escutarem o som os vendedores iniciam a sua rotina de preparação: primeiro, uma precisão milimétrica, retiram da linha os produtos expostos com, tomando em conta a altura exacta a que passarão os degraus das carruagens e deixando tudo o que possa ficar. Depois recolhem expositores, muitos deles devidamente instalados sobre rodas que rodam em calhas metálicas instaladas para coincidir com a extensão necessária. Por fim, sobem os toldos das suas vendas quase no instante em que a primeira carruagem lhes vai tocar.

A passagem do monstro metálico dura meia dúzia de segundos e assim que a sua traseira deixa livre o espaço de cada vendedor, a rotina inversa é activada. Com uma precisão feita de milhares de movimentos executados o mercado retoma a sua forma original. Ao fim de vinte segundos, tudo decorre já como se nada tivesse sucedido, como se os carris que se vêem no chão fossem um testemunho de um passado distante, como se dentro de meia-hora não fosse passar por ali o mesmo comboio no seu regresso a Samut Sakhon.

Mas passa. E de novo se faz ouvir bem alto o som da buzina, a rotina reinicia-se…

O Mercado e a Cidade

Apesar de não ter a espectacularidade de outros mercados da região é mesmo assim um local que vale a pena explorar. Tem um carácter mais genuíno que os mercados da capital, com muitos agricultores a venderem directamente o produto do seu labor, muitas vezes em quantidades bem pequenas.

Há detalhes que não se podem perder. O feirante ocioso que lê o jornal enquanto espera por clientes, o camponês exausto que dorme na caixa da sua carrinha aberta e, claro, os bens à venda, exóticos, diferentes, mágicos.

A cidade também não tem evidentes atractivos. Se caminhar um pouco pelas ruas terá claramente a sensação de ser o único estrangeiro a fazê-lo, o que é sempre agradável. Pode parar num quiosque de venda de sumos para uma bebida refrescante antes de retornar à capital e, quem sabe, comprar algo para comer.

Regressar a Banguecoque

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No passado existiam mais comboios e era possível chegar e partir por via ferroviária. Mas actualmente isso tornou-se complicado, a não ser que esteja disposto a apressar a sua visita, ficando apenas com umas poucas dezenas de minutos para explorar o mercado antes de regressar. Se deseja dispor de mais tempo pode voltar para Banguecoque numa mini-van. O bilhete é um pouco mais caro, mas é uma viagem rápida e directa que o deixará no centro da cidade.

Com vontade de conhecer o Mercado de Maeklong? Procure voos baratos para Banguecoque e viaje até ao mercado mais estranho do mundo!

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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