Blog de Viagens – Rumbo.pt

UM BLOG RUMBO
Home > O que ver > Angkor Wat, os templos da selva do Camboja

O que ver

Angkor Wat, os templos da selva do Camboja

Angkor Wat, os templos da selva do Camboja
Abril 26
11:52 2017

Durante séculos este grandioso complexo de 400 km2 esteve perdido no meio da floresta, engolido por raízes, ramos, árvores e arbustos. Angkor é um dos mais grandiosos complexos de templos do mundo, reunindo cerca de 100 templos, construídos por orgulhosos reis khmer, que durante séculos se tentaram suplantar em grandiosidade. A maioria dos templos foram construídos entre os séculos XIX e XII, numa época em que a capital localizada em Angkor era populada por mais de 1 milhão de pessoas.

Este complexo foi descoberto em 1860 por um naturalista francês, Henri Mouhot e foram as suas descrições fabulosas que tornaram o local famoso, mesmo estando, na época, coberto pela selva envolvente. Esteve, até muito recentemente, abandonado devido às lutas internas. Nas mãos dos Khmer Vermelhos e das guerrilhas da guerra civil foi pilhado para custear as armas e deixado à mercê de uma selva impiedosa que novamente voltou a engolir os templos. Nos últimos anos, foi recuperado e reaberto ao público, pois uma tal riqueza histórica, cultural e arquitetónica não pode ficar escondida nem abandonada. Atualmente muitos dos templos encontram-se em recuperação, apoiada e custeada por diversos países do mundo.

Angkor é um grandioso complexo pelo que uma visita ao complexo deve ser previamente planeada, dependendo em grande parte do tempo disponível. Deixo aqui algumas sugestões de templos a visitar.

Os principais templos:

Angkor Wat

angkor-wat-templo

O primeiro templo é normalmente Angkor Wat, uma pirâmide maciça de três andares com cinco torres em lótus com 65 metros de altura. É a peça central e ponto de partida de quase todas as visitas. O templo tem um km2 e está cercado por um fosso e uma parede exterior com 1300 x 1500 metros. As paredes do templo são cobertas com baixos-relevos e esculturas. As paredes exteriores do nível mais baixo exibem os mais extraordinários baixos-relevos, retratando histórias e personagens da mitologia hindu e as guerras históricas de Suryavarman II.

templo-angkor-wat

Angkor Phom

angkor-phom-templo

Angkor Phom significa Angkor Grande e é uma cidade real, última capital do império de Angkor, murada e com um fosso de três km2. Os primeiros templos aqui construídos foram Baphuon e Phimeanakas e a cidade desenvolveu-se à sua volta. Bayon, um dos maiores templos de Angkor, só foi construído depois. Esta “cidade” tem cinco Portões, uma para cada ponto cardeal, coroados com quatro faces gigantes.

A visita ao complexo deverá incluir Bayon, conhecido pelas suas gigantes caras de pedra. O templo tem 37 torres de pé, algumas delas com as tais caras esculpidas orientadas para os pontos cardeais. Não existe nenhuma certeza quanto a quem podem representar e as teorias à sua volta são dispersas. À semelhança de Angkor Wat tem também uma série de baixos-relevos nas paredes exteriores do nível mais baixo e no nível superior que contêm, entre outras, cenas reais da histórica batalha marítima entre o Khmer e o Cham, cenas da vida quotidiana, cenas de batalha e cenas de comércio.

De seguida Baphuon, o maior templo-montanha de Angkor Thom. Este templo foi reaberto recentemente (2011), depois do seu projeto de restauro ter sido abandonado em 1975, por causa da guerra. Os registos deste trabalho, iniciado em 1970, perderam-se durante a guerra, deixando um monte de pedras, resultado dos trabalhos anteriormente iniciados, espalhadas pelo chão. Destacam-se os entalhes de animais na entrada e o impressionante Buda Reclinado no lado oeste, adicionado ao templo no século XVI.

Terminamos com Phimeanakas, um dos templos mais altos do complexo. Recomendo a subida uma vez que a vista lá de cima é bem exuberante, rodeada de floresta por todo o lado. Segundo a lenda, a torre dourada que coroa o templo foi habitada por uma serpente, que se transformaria numa mulher. Os reis de Angkor eram obrigados a fazer amor com a serpente todas as noites, para que não acontecessem desastres, com eles ou com o reino.

Duas das construções mais interessantes de Angkor Phom são o Terraço dos Elefantes e do Rei Leproso, ambos construídos no século XII. O Terraço dos Elefantes tem 2,5 m de altura, com uma parede de 300 metros de comprimento decorada com elefantes, abrangendo Baphuon, Phimeanakas e a área do Palácio Real no coração de Angkor Thom. A secção norte da parede exibe uma escultura de um cavalo de cinco cabeças e cenas de guerreiros e dançarinos. O Terraço do Rei Leproso está na extremidade norte do Terraço dos Elefantes e o seu muro tem esculpidas nagas, demónios e outros seres mitológicos. O seu nome deriva da estátua do rei com o mesmo nome que está no topo, sendo que a origem do nome da estátua é tudo menos consensual.

Percorrendo a Estrada de terra batida chegamos a Ta Prohm, um dos templos mais impressionantes (cenário do filme Tomb Raider). Este templo foi totalmente engolido pela selva envolvente e, mesmo tendo sido recuperado, foram deixadas muitas das árvores que cresceram à volta e por dentro das suas paredes. O efeito é verdadeiramente espetacular. Foi originalmente construído como um mosteiro budista e era muito rico, controlando cerca de 3000 aldeias, milhares de empregados e várias lojas de joias e ouro.

templo-ta-prhom

Sugiro também Banteay Kdei que foi originalmente construído sobre um templo anterior e funcionou como um mosteiro budista. Os materiais usados na sua construção não foram os melhores o que justifica a aparente erosão e desgaste do templo.

templo-banteay-kdei

E Srah Srang, mesmo frente, tem uma curiosa plataforma multi-camadas adornada com guardiões em forma de nagas e leões. Existe no meio do lago uns resquícios de um templo-ilha ali construído, mas só pode ser encontrado durante a época seca, quando a água está baixa. Srah Srang oferece uma agradável, e menos turística alternativa ao nascer do sol em Angkor Wat.

Outros templos de interesse:

Chau Say Thevoda e Thommanom são os templos imediatamente a seguir à Porta da Vitória, uma das saídas de Angkor Thom. Chau Say Tevoda é um pequeno templo muito semelhante a Thommanon, localizado logo em frente, construído em meados do século XII e dedicado a Shiva. Exibe algumas esculturas bem executadas que ainda estão em condições razoáveis. Thommanom é um templo que está em muito bom estado de conservação, construído ao mesmo tempo que Angkor Wat e com um estilo muito similar que pode ser observado nas torres. Parece fazer conjunto com Chau Say Tevoda do outro lado da rua, mas foi construído décadas antes.

Para terminar, Prasat Kravan com as suas torres de tijolo e as paredes com baixos-relevos únicos e perfeitamente restaurados de Vishnu e Lakshmi. Foi reconstruído por arqueólogos no início do século XX e os sinais desta recuperação são visíveis nos tijolos assinalados com as letras “CA”.

templo-prasat-kravan

Como sobreviver a 400 km2 de templos?

Primeiros passos: O primeiro passo é, definitivamente, definir os dias de visita. O ideal são 3 dias, mas é perfeitamente possível visitar alguns dos templos mais icónicos e outros mais pequenos num único dia. De seguida é necessário definir um itinerário pelo recinto. Existem alguns circuitos mais ou menos definidos (o Pequeno e o Grande) mas a verdade é que depende de cada pessoa definir o que quer ver. Próximo passo, comprar as entradas para o parque (existem para 1, 3 e 7 dias) e, por fim, arranjar transporte para o templo e pelo templo – qualquer hotel de Siem Reap disponibiliza um Tuk-Tuk ou negociar diretamente um nas ruas.

Como ir e como se deslocar: Siem Reap fica a quatro km de Angkor Wat e alguns dos templos estão afastados entre si três ou quatro km pelo que o ideal é ir de tuk-tuk (ou carro). Existe também a hipótese de ir de bicicleta, mas dado o calor e as distâncias não recomendo. Alugar um Tuk-Tuk por um dia inteiro fica à volta dos 15-20$ e o motorista deixa-nos nos locais que queremos e espera por nós durante as visitas aos templos.

Bilhete: A bilheteira fica a cerca de um km do parque e só é possível comprar presencialmente, tiram foto no local, e para o próprio dia (e seguintes se comprarem para mais do que um dia). Se forem com um condutor de tuk-tuk não têm que ter preocupações, ele sabe o caminho e antes de se dirigir para o complexo passará certamente por aqui.

Que itinerário fazer e que templos visitar: existem diversos itinerários possíveis, para meio dia, um dia, dois e por aí em diante até sete. O ideal é levar já uma ideia do que ver. Os condutores dos Tuk-Tuk dão algumas recomendações, mas é importante fazer o plano, para não ficarem apenas pelos locais mais óbvios. Alguns dos templos mais pequenos e desconhecidos também merecem uma visita.

Etiquetas

Sobre o Autor

Sónia Dias

Sónia Dias

Sónia Dias, blogger de viagens, escreve no blog Travel Random Notes onde fala sobre as suas viagens e dá dicas sobre viagens low cost.

0 Comentários

Ainda não existem comentários!

Não existem comentários neste momento, quer adicionar um?

Escrever Comentário

Escrever Comentário

Siga-nos no

Infografias - Infografias inspiradoras by Rumbo.
Dicas para Viajantes - Viaje informado com a Rumbo.

Siga-nos no Facebook