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Um Pequeno País Chamado Kosovo

Um Pequeno País Chamado Kosovo
Agosto 05
08:26 2016

O nome do artigo ameaça desde logo levantar polémica. Kosovo? País? Depende de quem o disser. Nas Nações Unidas não lhe é dado assento, mas um enorme número de Estados reconhece oficialmente o Kosovo. Como é o caso de Portugal e dos Estados Unidos da América. Seja como for, ele está lá, com Governo e fronteiras próprias. Apenas a moeda é emprestada da Zona Euro.

Mosteiro de Pec no Kosovo

Mosteiro de Pec no Kosovo

Um Nascimento Complicado

O Kosovo é um dos frutos do colapso da Jugoslávia, o mais tardio de todos, resultando das tensões crescentes entre as comunidades de origem albanesa e sérvia. Apesar de minoritários (10% em 1991), os sérvios detinham o controlo efectivo da região. Uma situação potencialmente explosiva que conduziu a um estado de violência crescente, culminando num conflito de baixa intensidade entre combatentes kosovares e milícias sérvias apoiadas pelo Exército Nacional Jugoslavo (na altura ainda existia nominalmente uma Jugoslávia, que na prática se resumia à Sérvia e ao Montenegro).

O conflito terminou com a imposição, por parte da comunidade internacional, de uma separação das comunidades e com o estabelecimento de um Estado de facto controlado pelos kosovares de origem albanesa.

O Charme do Desconhecido

Com um clima predominantemente mediterrânico o Kosovo encontra-se fora dos grandes circuitos de turismo de massas. Esse toque de mistério será um dos grandes trunfos que detém junto dos viajantes. As pessoas não sabem o que as espera por lá. O nome diz-lhes qualquer coisa. Mas os mais jovens nem se lembram das notícias sobre aquela guerra distante. E contudo existem maravilhas para serem descobertas…

O Kosovo de hoje é uma projecção da Albânia. Como se fosse uma província daquele país balcânico. Religião, cultura e língua são comuns. É portanto, tal como sucede com a nação-mãe, um cenário exótico para nós.

Um país europeu onde se avistam minaretes em vez de torres sineiras, onde a língua tem um som tão diferente, onde as pessoas têm uma tez escura, talvez os mais morenos da Europa. Não dá mesmo vontade de partir à descoberta de tudo isto?

Biblioteca pública de Pristina

Biblioteca pública de Pristina

Pristina e Prizren

Existem outras referências no mapa do Kosovo, como Mitrovica, uma cidade dividida entre as duas comunidades, ou Gjakova, arrasada pela guerra mas actualmente oferecendo uma fabulosa animação nocturna e servindo de base para bons passeios pela Natureza envolvente. Mas o destaque incide sobre Pristina e Prizren.

Pristina é capital, e não será das mais bonitas da Europa. O seu nome significa “imaculada”, “branca”. Mas é uma designação abstracta. É uma metrópole de edificação decadente, vestígios de projectos socialistas, entre os quais se vão levantando novos bairros e edifícios de gosto duvidoso. Mas é mesmo assim uma cidade interessante que poderá deixar o visitante entretido durante um par de dias. Sobretudo pelo seu pulsar único.

Passa uma patrulha das forças das Nações Unidas. E chegamos aos painéis onde familiares de desaparecidos durante a guerra mantêm – hoje em dia mais pelo peso simbólico do acto – fotos dos entes queridos perdidos.

O chamamento para a oração ecoa do topo dos minaretes. É sempre interessante visitar um país islâmico moderado e perceber que moderação e radicalismo coexistem no universo Cristão e Muçulmano. Nos países muçulmanos europeus – Albânia, Kosovo e Bósnia-Herzegovina, a população não é mais islâmica do que os portugueses são católicos.

A figura da Madre Teresa de Calcutá é omnipresente por aqui. Muita gente desconhece que a generosa senhora era de facto kosovar. Há monumentos decadentes do tempo de Tito e outros, mais recentes, aos heróis da luta contra os sérvios. Ou “ocupação”, do ponto de vista dos habitantes de Pristina.

Prizren tem uma personalidade mais forte. Antiga capital da Sérvia medieval, oferece aos visitantes um sabor histórico que não se encontra em Pristina. A fortaleza é de visita “obrigatória”. De lá avista-se toda a cidade e a imensidão de um horizonte distante. Pode-se almoçar um prato de cevapcici, aqueles pequenos croquetes grelhados que os turcos deixaram nas gastronomias locais de todas estas nações balcânicas. Muito bem empurrados por uma cerveja kosovar, bem fresca, saborosa e barata.

Depois há que explorar as estreitas vielas da zona histórica, a mesquita Sofi Sinan Pasha e a zona envolvente, que ainda hoje tem um ambiente local, quase de aldeia, com o rio que corre e as zonas verdes que cobrem as suas margens. Há que visitar os banhos turcos, uma mão cheia de outros edifícios de origem otomana. E as igrejas ortodoxas, algumas delas riquíssimas.

Prizren encanta também pela cultura de cafés, não à moda vienense ou parisiense, mas com um toque turco e ambientes que, nos mais clássicos, não difere muito dos antigos cafés lisboetas ou portuenses.

Estátua de Ibrahim Rugova em Pristina

Estátua de Ibrahim Rugova em Pristina

Traços da Guerra

É inevitável e exerce um fascínio mórbido sobre muitos visitantes: a guerra de finais do século XX está ainda presente por todo o lado. Avistam-se bases militares dos contingentes das Nações Unidas, estabelecidas para prevenir o reacendimento da luta armada entre as comunidades. Há pequenos cemitérios onde se encontram enterrados combatentes e vítimas civis das escaramuças entre sérvios e kosovares. E não é boa ideia ser-se confundido. Apesar de ser pouco provável a visita a um dos raros enclaves sérvios, se se fizer isso será melhor ter a certeza que não nos tomarão por kosovares. Uma bandeirinha de Portugal na mochila é aconselhável.

Nos campos há casas destruídas por um fogo distante, e mesmo nas principais cidades os bairros sérvios foram arrasados pela ira da população kosovar. As marcas da guerra estão presentes na paisagem rural e urbana do Kosovo e oferecem excelentes oportunidades fotográficas.

 

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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