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Cá Dentro: Vila Nova de Milfontes

Cá Dentro: Vila Nova de Milfontes
Agosto 12
09:43 2016
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Vila Nova de Milfontes. Esta pequena povoação localizada no Alentejo litoral, pacata e calma até meados dos anos setenta, sofreu uma expansão associada às suas qualidades balneares desde então, tornando-se bem conhecida a nível nacional.

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Um Pouco de História

Existem marcas de ocupação humana na zona de Vila Nova de Milfontes desde o período Paleolítico, com vestígios posteriores, que se estendem pela época das ocupações romana e muçulmana.

A Reconquista trouxe consigo um período de desertificação, comum a todas estas terras do sul. Apenas em 1486 o rei D. João II decide fundar aqui a localidade de Milfontes, procurando dinamizar a região e chamar para ali um pouco de comércio que tanta falta fazia para a consolidação da presença portuguesa na região.

Entre a sua fundação e o ano de 1836 Milfontes foi sede de concelho, mas nunca cresceu como desejado. A localidade era vulnerável aos ataques dos piratas vindos do Norte de África e apenas a construção do forte de São Clemente, nos finais do século XVI, trouxe um pouco de segurança à população.

Mesmo assim, apesar do estatuto de sede de concelho, em 1801 tinha apenas 1500 habitantes e os anos passaram sem grandes novidades, para além da expedição aérea de 1924,que estabeleceu a primeira ligação aeronáutica entre Portugal e Macau e que partiu precisamente do Campo dos Coitos, ali à beira.

As Maravilhas de Milfontes

Quando o visitante entra no barbacã do forte, aquela espécie de esplanada que antecede as portas da antiga fortaleza, tem de imediato uma perspectiva visual dos encantos da vila.

Dali avista a foz do rio Mira, o casamento das suas águas com o Atlântico e as praias que são imagem de marca da localidade. Ali mesmo, sob os seus olhos, estendem-se os areais fluviais, da margem de cá mais populares, mercê da proximidade com o casario, enquanto do lado oposto a presença humana é mais esparsa. Depois, lá mais longe existem as praias oceânicas, para quem prefere a bravura das vagas à calmaria do rio.

Mas, especialmente fora da época de afluxo das férias de Verão, a própria vila tem muito para oferecer. As suas ruas de casas brancas, decoradas com barras pintadas de tons bem coloridas, estão repletas de pormenores encantadores.

A Igreja da Nossa Senhora da Graça, localizada no coração histórico da vila, é uma testemunha de outros tempos. Encontra-se ali desde o início do século XVI, apesar de apenas em 1959 ter assumido a sua actual forma. É daqui que em pleno mês de Agosto parte a procissão que conduz as imagens de São Sebastião e de Nossa Senhora da Graça até às embarcações que depois as conduzem pelo Mira.

Forte de São Clemente

Forte de São Clemente

O forte de São Clemente será talvez a imagem mais marcante da vila. Erigido para defender a povoação e o rio das incursões de piratas, perdeu a sua importância militar e passou para a propriedade de privadas. Durante as primeiras décadas do século XX foi negligenciado, até ser adquirido, em 1940, por Dom Luís Manuel de Castro e Almeida. Foi então convertido numa unidade de turismo de habitação, provavelmente a primeira em Portugal.

Do outro lado do rio, no meio dos bosques, encontram-se umas cascatas de águas frescas e cristalinas, que na época balnear oferecem uma excelente solução para “lavar” o sal da pele. Durante muito tempo foram um segredo bem guardado, mas mesmo nos dias de hoje é possível usufruir aqui de momentos de muita tranquilidade, sobretudo fora do período do Verão.

Um pouco mais distante encontra-se o porto de pesca, onde existem uma série de tascas que servem a afamada caldeirada de peixe. Um passeio por aquelas paragens traz ao visitante a vivência de um outro ambiente. Longe do núcleo urbano encontra-se a paisagem característica da costa vicentina, com encantadores trilhos que se percorrem pelo alto das falésias, observando-se praias secretas e um oceano a perder de vista.

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Memórias

Existe quem se lembre de uma outra Milfontes, lá para os anos 70 e até meados da década de 80. Antes da chegada do turismo de massas, da expansão urbanística associada a este boom sazonal, do aparecimento de um sem número de edifícios de apartamentos de férias.

Era uma outra vila, com uma alma alentejana, onde nada se passava durante os nove meses que antecediam a chegada do Verão. Vinham então algumas pessoas das imediações a banhos, uns poucos visitantes que enchiam a meia dúzia de quartos das duas pensões existentes, e um grupo de famílias de Lisboa, selectas, que formavam uma comunidade elitista e que ocupavam as melhores casas do centro histórico.

Os mais novos sorriem perante a descrição de uma Vila Nova de Milfontes onde não existia uma ponte sobre o rio e onde se chegava ao farolim da barra a pé, porque a estrada terminava junto ao forte. Não existiam supermercados e os abastecimentos eram feitos na remediada praça, com alguns bens disponíveis num par de lojas gerais que por ali havia. Chegavam precisamente seis cópias do jornal diário ao café junto ao barbacã e se fosse preciso um medicamento havia que ir ao Cercal do Alentejo, uma viagem que demorava quase uma hora. Era de facto uma outra realidade, que gravou memórias de uma série de gerações que aqui conheceu os seus primeiros amores e viveu a intensidade dos romances de Verão nas areias daquelas praias.

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Sobre o Autor

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro

Ricardo Ribeiro: Nasceu e cresceu em Lisboa. Foi para o Algarve. Licenciou-se em História, andou dez anos com os galões dourados da Armada, até que mandou as rotinas à fava e passou a fazer websites. Agora está aqui, pronto para partilhar o que viu no Planeta. Lê, vê cinema, anda de moto 4, faz Geocaching e é Couchsurfer.

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